Mostrando postagens com marcador Roberto Prado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roberto Prado. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Desencontros por Roberto Prado

Roberto Prado é escritor tem dois livros publicados pela CBJE Gringas e Outras Histórias está em sua segunda edição.
Todas as segundas feiras publica textos literários no Chá das 5, em duas edições 5 hrs e ás 17 hrs. Em breve voltará sua coluna de contos Devaneios do Ranzinza.
DESENCONTROS
       Não bastassem as distâncias
temos as encruzilhadas
as pedras dos caminhos
     e por fim os desencontros...

domingo, 23 de março de 2014

GUARDE A ÚLTIMA MÚSICA PARA MIM de Roberto Prado

GUARDE A ÚLTIMA MÚSICA PARA MIM Dançou aquela música com toda a sua alma
E o corpo... 
O corpo ficou largado na pista
Pela manhã a faxineira há de varrê-lo para a rua.



Roberto Prado, é escritor e blogueiro, publicou dois livros pela CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores).

Escreve em seu blog ETC & BASTA: http://blogdonemesis.blogspot.com.br/

quarta-feira, 5 de março de 2014

Devaneios do Ranzinza: Agentesevêporaí.


Roberto Prado, 53 anos, Santos - São Paulo.

Publicou dois livros e é funcionário público. Talentoso escritor, tem vários de seus escritos publicados em revistas eletrônicas.

Blog do Roberto Prado: http://blogdonemesis.blogspot.com/
E-mail do Folhetim Cultural: folhetimcultural@hotmail.com


Agentesevêporaí.


 --- A gente se vê por ai! - Deu um sorriso, lindo, frio e fechou a porta sem dar um beijinho sequer em rosto, deixando como lembrança somente o seu perfume.
Parado com a cara na porta, ele sentiu que era o fim, fim de começo, começo sem porvir, fim,” the end”. Aspirou o perfume, tentou guardá-lo o maior tempo possível.

Trinta e cinco segundos, ainda assim amparado pela parede.

- A gente se vê por ai - repetiu baixinho, como que para assimilar o pé na bunda. - A gente se vê por aí.

Apertou o botão de chamada do elevador, mas resolveu descer os dez andares.
O toc-toc dos sapatos fazia eco nas paredes - Agentesevêporaíagentesevêporaiagentesevêporaíagentesevêporai - repetia, mascando as palavras como se fosse um chiclete de hortelã.

Seu sabor predileto sempre foi tutti-frutti.

No sétimo andar, as luzes estavam queimadas, acendeu o isqueiro para iluminar e aproveitou para fumar. De olhos fechados aspirou a fumaça, com um prazer quase sexual e pensou alto:

- O único prazer dessa noite.

Expirou a fumaça junto com um suspiro. Na segunda tragada, engasgou-se, tossiu e tossindo repetiu:

- Agentesevêporaíagentesevêporai.

Sem fôlego, cansado e frustrado chegou ao térreo. Carrancudo, deu boa noite ao porteiro, e saiu para rua com a certeza que o baiano estava rindo da sua cara.

- ”Agente se vê por ai” deve estar tatuado na minha testa!

Seguiu pela rua escura, uma brisa fresca anunciava uma chuva para logo. Foi andando em direção à sua casa.

- Agentesevêporaíagentesevêporaiagentesevêporaíagentesevêporai...

Quatro quarteirões depois começou um chuvisco que logo engrossou, encheu as ruas, encharcou a roupa, os sapatos, a carteira com o dinheiro e os documentos do carro...

- ...os documentos do carro! - completa o pensamento com palavras. Grita um palavrão para a mulher e corre de volta para o prédio dela, onde na esquina está estacionado o seu carro.

- Agentesevêporaíagentesevêporaiagentesevêporaíagentesevêporaiagentesevêporaíagentesevêporai.

Com esse mantra ele volta para casa e no caminho ainda se perde duas vezes.

- Agentesevêporaíagentesevêporai, parece até refrão de música brega, agentesevêporaíagentesevêporai...

Ao chegar, pingando, deixando poças d’agua pelo chão, sujando o tapete branco, corre para a secretária eletrônica, que pisca, na esperança de uma mensagem dela.

Plantado de frente à máquina constata tristemente que era a mãe reclamando das varizes, pela terceira vez essa semana.

A poça d’água aumentou ainda mais com suas lágrimas...

domingo, 2 de março de 2014

Roberto Prado tem obra publicada no caderno Literário Pragmatha

O escritor Roberto Prado colunista do Folhetim Cultural e autor do Blog Etc & Basta, teve a obra Esquina de sua autoria publicada na edição 54 do caderno Literário Pragmatha.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Chá das 5 Especial: O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado Parte Final

Hoje publicamos O final do conto O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado. Segunda e terça publicamos as outras duas partes leia através do link.
21 – Pensei em ir embora quando, quando, quando – até me arrepia lembrar dessa parte – vi o espectro de Júlia. Mais branca do que me lembrava, pálida, translúcida, olhos fundos como um precipício, cabelos negros e longos como uma noite sem fim... – apelei, sei que apelei, fui longe na descrição! Mas ela estava acabada. Via-se que o casamento também não lhe fez bem. Aproximei-me dela sorrindo, era o primeiro sorriso da noite, eu estava guardando para uma boa ocasião, talvez quando eu encontrasse o Velho Bill, mas deveria improvisar, era por uma boa causa. Júlia... Ah! Júlia.... – suspirei tão fundo que ela acabou falando comigo antes que eu falasse com ela. – Beto! – falou sorrindo, fechei a cara. – Você ainda continua implicando com isso depois de mais de trinta anos! Você continua tão implicante quanto antes! Fechou a cara também. Estou vendo que tenho uma inclinação que é quase um dom divino de estragar qualquer encontro.
22 -  Como que para me provocar, perguntou: Como vai a, a, a, a... Esqueci o nome da sua segunda esposa – sim, só ela sabia do meu segundo casamento, muito embora ignore o terceiro –, acho que esqueci. Hermelinda (meu segundo dom é arrumar mulher com nome de gerúndio!), digo, Violeta! Ah! Isso mesmo, a Violeta... Como ela está? De cara amarrada respondi que não sabia. Me separei! Sinto muito – disse assim muito sem graça. Que chato dar um fora desses, não é? Não poderia ser pior. Como poderia ser pior? – vi que ela corou um pouco – o V.V. poderia me perguntar a mesma coisa. O que é que o V.V. tem a ver com isso? – Com uma calma anormal em mim expliquei que ele fugiu com a Hermelinda, digo, Violeta. Foram para Buenos-Aires... – menti, sempre achei que deveríamos fazer alguma coisa contra os argentinos, nada poderia ser pior que mandar aquele sátiro-priápico-egocêntrico e a minha ex-mulher para lá.
23 -  Como um fantasma Júlia sumiu e me deixou falando sozinho – ótimo- falei com meus botões. Estiquei o braço direito e voltei à luta. Gritei: À carga! – todos olharam para mim outra vez, estava começando a me divertir com isso, e sou inimigo de me divertir, e saí singrando aquele mar de gente atrás do Velho Bill. Passei perto de V.V., senti um impulso de perguntar por Hermelinda, digo, Violeta. E, como sempre, cedi aos meus impulsos.
24 – Grande V.V.! – disse quase gritando e chamando, dessa vez por vontade própria, a atenção daquela raça. Como vai essa bizarria? O sorriso amarelo dele valeu todos os anos que passei remoendo uma vingança. – Como vai a sua esposa, a, a, a, a, cara, acho que esqueci o nome dela. Os seus lacaios... – ele vive cercado de lacaios, V.V. era o único vivente bem-nascido da nossa rua, e vivia esfregando isso em nossa cara. Com o tempo passou a comprar amigos, seguidores e por fim descobriu que é mais barato comprar lacaios. Ele os tem aos montes. Capitalista dos infernos. Mas voltando ao assunto, os seus lacaios iam me cobrir de porrada, quando, magnânimo, V.V. disse bem alto para que todos ouvissem. – O nome da minha esposa é Violeta, digo,  Hermelinda. Como você pôde esquecer o nome da sua ex-mulher? – Do alto de minha indignação respondi-lhe que não entendia de hortifrutigranjeiro. Virei as costas e fui embora a tempo de escapar de ser socado até morte. Mas, por Deus! O que vejo lá na frente?
25 – O garçom estava, outra vez, do outro lado do salão. Só nesse momento me dei conta de que o miserável do organizador só havia contratado um garçom para servir nessa reunião. Isso estava me cheirando a vingancinha do Scorpion. Aposto que ele estava fazendo isso só para humilhar o seu penúltimo “sobrinho”. Ele sacaneia o garçom e eu fico sem beber... A vida é mesmo muito engraçada.
26 -  Olho o relógio. Já deve estar na hora de ir embora. Pelos cálculos que fiz antes de chegar aqui, a essa hora já deveria estar caindo de bêbado, brigado com todo mundo e sido chutado para a rua, mantendo o velho padrão autodestrutivo de sempre. Mas que nada, aqui estou sóbrio, mas coerentemente arrumando encrenca, assim, logo-logo, sou chutado para a rua. Eu sabia que isso aqui não ia prestar... Só quero ver aquele arranhão que o Tomzinho falou.
27 – Amanhã, quando eu acordar, vou escrever tudo isso. Ah! Eu vou dar nome aos bois! Essa história vai me dar dinheiro para pagar o divórcio da Almerinda, digo, Rosa.
FIM
Por Roberto Prado
O Velho Bill, as Flores e eu é um conto de Roberto Prado, escritor já publicou dois livros pela CBJE, tem seu blog ETC e Basta e é colunista do Folhetim Cultural.

Curta o Folhetim Cultural
Twitter Folhetim Cultural
Comunidade no Facebook

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Chá das 5 Especial: O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado Parte 2



Nesta terça publicamos a segunda parte do conto O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado amanhã  publicaremos o final, ontem foi publicado a primeira parte, então atente se as postagens da faixa das 5. Este é o Chá das 5 especial.

Leia a primeira parte através do link

11 -  Aí começou a estragar a minha noite. Se tem uma coisa que detesto mais que meu nome, é o meu apelido. Detesto Beto, Betinho, Betão! Meu nome é Felizberto, com Z em vez de S. Aliás, o único Felizberto mal-humorado que a turma conhecia. Como se houvesse outro Felizberto com Z que eles conhecessem...
12 – Já no meu estado normal, fechei a cara e disse para o Scorpion quem era o Beto. Mas com aquele tamanho ele não se preocupa com meu mau-humor ou o de qualquer outra pessoa... Tapinhas nas costas. Como-vai-a-vida-o-que-tem-feito e por aí vai. Claro que não poderia faltar aquela maldita pergunta.
13 – -Como vai a sua esposa? A..., a..., esqueci o nome dela... – Margarida. Menti, o nome dela era Faustina. Onde uma mãe arruma um nome desses? Isso mesmo, como anda a Margarida? Mudou-se. Agora vive na Europa. Europa?? Como foi isso? Separaram-se? Sim. Faz uns dez anos. Mas o que ela faz na Europa? Aliás, em que país ela está? Deixa adivinhar... Portugal. Vocês sempre quiseram viajar para lá, não é? Não! Na verdade ela está vivendo na Romênia. Na Romênia? Mas como ela foi para lá? Está estudando? Bolsa de estudos, não é? Não!- respondi prontamente. Ela fugiu com um cigano e agora aquela desgraçada deve estar sequestrando crianças, batendo carteira e lendo mãos...
14 – Com isso a minha noite azedou de vez. Quem me conhece, os amigos recentes, sabem que não falo de casamento. Assunto tabu. Proibido. Casamento, futebol, religião, política, estanhager. Não se comenta isso perto de mim! Que droga! Eu sabia que não deveria ter vindo. Mas de vingança perguntei quem era o rapazinho bonitinho de vinte e poucos anos que estava com ele. Já adivinhava a resposta. – Meu sobrinho. Desde nossa juventude era sempre essa a resposta. Imaginem de onde vem o apelido Scorpion?
15 – Cadê o Bill? Cadê o Bill? Lá está o garçom. Como uma nau em um mar revolto e tempestuoso, estico meu braço direito e vou singrando naquele mar de gente. Aproximo-me do garçom, estico meu braço, que deve ter um metro e pouco, estico meus dedos longos de poeta & cronista mundano e, faltando milímetros/segundos, uma mão fria e pegajosa puxa meus dedos de poeta & cronista mundano, junto com meu antebraço, braço e resto desse corpo sedento de uísque. Mentalmente disse: - Até logo Bill. Assim que der, eu volto. Bye-bye...
16 – Viro sobre os calcanhares, torcendo e pedindo ao meu Padroeiro São Peregrino Laziosi que não fosse V.V., que não fosse V.V. E abrindo os olhos lentamente vejo o gordinho careca que pegou a chave de meu carro. Veio explicar que havia um risco na porta da frente que ia até o porta-malas, dava volta e voltava até o capô, fazendo um estranho e bizarro zig-zag. As suas mãos tremiam, e jurava-me que nada tinha a ver com isso... Pelo tremor das suas mãos reconheci o velho, e como estava velho!, Tomzinho de minha juventude. Apaziguei-o explicando que eu comprei o carro com aquele arranhão mesmo; que ele, o arranhão, emprestava-lhe um certo charme pós-moderno sem desdenhar um certo apelo, um certo chamado à arte de meu Mestre Hieronimus Bosch. Os olhos do pobre coitado quase saltaram das órbitas.
17 – Agora eram seus lábios que tremiam. Ele balbuciou, sim balbuciou... Sempre escrevi balbuciou, mas nunca antes alguém havia balbuciado na minha frente. Estou grato a ele por isso. Não lhe falei isso, não! Aquele miserável mercenário seria capaz de me cobrar por isso. Agora foi a minha vez de perguntar: - E aí, Tomzinho, como vai a, a, a... Essa também foi a minha vez de esquecer o nome da mulher dele. Detesto essas festas, já falei isso antes? Ah! Velho Bill, o que não faço para estar com você...
18 – Tomzinho tremeu outra vez. Comecei a temer pela sua saúde. Será que além de gordo e careca estava com a doença de São Guido? Passou as mãos pela cabeça, talvez esperando encontrar algum cabelo por ali ainda. Ou talvez fosse só cacoete! Respirou fundo, e tremendo ainda mais (sim, ele deve estar doente mesmo) me explicou que largou a mulher. Foi traído! Traído! Gritou. Outra vez as pessoas olham para mim. Devem estar confirmando a má impressão que elas têm a meu respeito. Sou mesmo um arruaceiro.
19 – Com as mais baixas intenções convidei-o a tomar um uísque comigo, assim quem sabe o garçom não me serviria um também. Debalde! Nenhum de nós dois foi servido e as outras pessoas agora se afastavam de mim, talvez me considerando um arruaceiro e socialista. Haja vista que Tomzinho, como Valete, não fora convidado. Vejam a minha situação, mal visto e mal servido. Mas voltemos à desgraça dele. Explicou que depois de três anos de casado e dois filhos descobriu que a mulher o traia... Um dia chegou em casa mais cedo e... – já via aí o velho clichê, ela na cama com outro, o outro sai correndo, pula janela, etc,etc,etc – vê a mulher no banheiro – oba, mudou o cenário, mas continua o clichê – tingindo os cabelos – que anticlímax! Tremia agora convulsivamente. - Tingindo o cabelo, Beto! – pronto! o maldito apelido a me assombrar outra vez. – Você se lembra que só me casei com ela por ser loira, por ser loira... – de que adiantava agora dizer-lhe que todos nós sabíamos que Marta era loira oxigenada? Só faria o pobre diabo sofrer mais. Mas a natureza humana é mesmo mesquinha. – Tomzinho, todo mundo sabia que a Marta era loira-falsa. Até “os peixinhos a nadar no mar” da música do teu xará (Tom Jobim, caso ainda paire alguma dúvida no ar) sabiam...

20 – Saindo em disparada para a rua, ele passa pelo garçom e rouba o copo de uísque que, tenho certeza, vinha em minha direção. Desgraçado! – gritei a pleno pulmão. E olhando para as pessoas que já não tiravam mais os olhos de cima, gritei ainda mais alto: - Você vai pagar pelo arranhão na lataria do meu carro. Vai pagar. Enfiei as mãos no bolso da calça e voltei para o meio da massa humana, camuflado; ainda conseguiria pegar o maldito copo de uísque, nem que tivesse que matar a metade daquelas pessoas. Vi o garçom, fui atrás dele, segurei-o pelo colarinho do fraque e o sacudi, sacudi, sacudi até que o Scorpion apareceu para me apartar. Não sabia que o garçom já tinha  sido “sobrinho” dele. Quase apanho daquela monstruosidade.
Continua...
Por Roberto Prado
O Velho Bill, as Flores e eu é um conto de Roberto Prado, escritor já publicou dois livros pela CBJE, tem seu blog ETC e Basta e é colunista do Folhetim Cultural.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Chá das 5 Especial: O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado Parte 1

Nesta segunda publicamos a primeira parte do conto O VELHO BILL, AS FLORES E EU de Roberto Prado amanhã e quarta publicaremos a segunda parte e o final respectivamente, então atente se as postagens da faixa das 5. Este é o Chá das 5 especial.
01 - Só para começar, quero deixar bem claro que eu não queria ir ao tal encontro. Alguma coisa me dizia para eu não ir. Não foi só a minha quiromante particular, ou as cartas, as imagens na bola de cristal. Não, era alguma coisa dentro do meu peito que dizia: - Não vá!
Mas no convite estava escrito: BOCA LIVRE.
02 - Cheguei duas horas depois de começado o encontro dos Amigos da Turma de 19..., umas múmias do século passado! O salão estava cheio, aliás, o que eu deveria esperar de um encontro daquele pessoal? E ainda era “Boca Livre”! Eles nunca perderiam essa oportunidade, nunca!
03 – Me “camuflei” no meio da massa e pus-me a procurar o meu velho amigo Bill. Quem é o meu velho amigo Bill? Respondo-vos. O bom velho Willian Grant, o uísque! Só assim para aguentar o porre que seria ver todos aqueles Zé-Manés da minha juventude.
04 – Acho que eu reconheci o Valete do estacionamento... Bem, nesses encontros nós nunca sabemos ou recordamos mesmo quem estamos vendo... Mas acho que o careca gordinho que pegou as chaves do meu carro era o Tomzinho... Naquela época era o Antonio, técnico em contabilidade, malhado de tanto esporte, o “Deus Greco”, sim, Greco, o intelectual de músculos salientes não sabia falar grego... (entendam como quiser isso). Se for mesmo ele, o cara está acabado. E eu, que não praticava nenhum esporte, estou aqui inteirão!
05 – Enfim avisto o garçom. Vou matar as saudades do amigo Bill. Vou atrás do garçom, mas ele segue em frente ou foge de mim! Sigo-o em meio à multidão. Mas quem será aquele sujeito ali no meio...?
06 – Ora, ora, ora, se não é o Alexander Von Brumm, vulgo Scorpion... Ah! A juventude e sua mania de apelidos americanizados. Vou ver de perto se é ele mesmo. Mas no meio do caminho havia um garçom com uma bandeja e sobre a dita bandeja um copo de uísque. Deixo para ver o Scorpion depois, primeiro o prazer, depois o depois...
07 - O miserável desapareceu como por encanto outra vez. Começo a perceber que o garçom é o meu antípoda, está sempre do lado extremamente oposto ao meu. Quando volto a avistá-lo e começo a segui-lo, vejo surgir à minha frente, graças a Deus distraído, o V.V.. Faço meia-volta e sumo de vista. Acho que era isso aquela sensação que me avisava para não vir hoje... 
08 -  Que burburinho enjoado! Mas é bom ficar calado por enquanto, senão vão dizer que estou mais chato que antes... Resolvo procurar o Scorpion. Como ele tem dois metros e quinze de altura, é fácil encontrá-lo. É só procurar um gigante de careca brilhante. Lá esta ele.
09 – Aproximo-me dele carregando uma cadeira de plástico. Detesto festas com cadeiras de plástico... Lá estou eu reclamando outra vez... As pessoas à minha volta pensam que vou arrumar confusão. Elas não me conhecem... Ou será que sim? Como não reconheço noventa e nove por cento dos que estão aqui, é bem capaz que me conheçam... Sigo com a cadeira às costas e a deposito nas costas do Scorpion.
10 – Com as pessoas estupefatas à minha volta, subo na cadeira, e cutuco Scorpion. Silêncio! – O pau vai comer! Quase consigo ouvir o pensamento das pessoas ao lado. Scorpion vira,  num misto de espanto e surpresa. Ao me ver me dá um abraço e grita: - Beto!
Continua...
Por Roberto Prado
O Velho Bill, as Flores e eu é um conto de Roberto Prado, escritor já publicou dois livros pela CBJE, tem seu blog ETC e Basta e é colunista do Folhetim Cultural.

sábado, 13 de abril de 2013

Fim de Semana Literário: Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado


A partir deste mês o Folhetim Cultural nos fins de semana será dedicado a literatura com postagens de vários autores convidados. Aos sábados ás 10 da manhã Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado é uma das nossas atrações.

Participe desta iniciativa enviando seus textos para publicarmos: folhetimcultural@hotmail.com


Roberto Prado colabora com o Folhetim Cultural desde o início de 2011. Roberto Prado já publicou dois livros pela (CBJE) Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Gringas e Outras Histórias está na segunda edição. Ele também é acadêmico pela Acadêmia de Letras de Teófilo Otoni.

Blog de Roberto Prado: http://blogdonemesis.blogspot.com.br/



MISÉRIA

Tamanha miséria nunca vi
Em lugar de uma mão pedindo
Um cotoco trêmulo e frágil
Que mal segurava uma moeda.

Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com



sábado, 6 de abril de 2013

Fim de Semana Literário: Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado

A partir deste mês o Folhetim Cultural nos fins de semana será dedicado a literatura com postagens de vários autores convidados. Aos sábados ás 10 da manhã Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado é uma das nossas atrações.

Participe desta iniciativa enviando seus textos para publicarmos: folhetimcultural@hotmail.com


Roberto Prado colabora com o Folhetim Cultural desde o início de 2011. Roberto Prado já publicou dois livros pela (CBJE) Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Gringas e Outras Histórias está na segunda edição. Ele também é acadêmico pela Acadêmia de Letras de Teófilo Otoni.

Blog de Roberto Prado: http://blogdonemesis.blogspot.com.br/



O QUE É UMA CRÔNICA?


Crônica, nada é mais fútil, mais importante, mais sem graça, mais cheia de fatos e dados históricos, que uma crônica.

Ela é extremamente datada, mais em poucos anos é importantíssima como fonte de pesquisa de comportamentos. Ela é uma fotografia, que tirada hoje, amanhã está amarelada e desbotada.

Encontrada num arquivo, no futuro, mostra-se radiante como uma pintura à óleo.

A crônica é um inferno quando temos assuntos à mão cheia, e um delicioso desafio quando nos falta assunto, quando olhamos a janela e nada vemos, olhamos para os lados e nada nos surge por milagre, então reviramos gavetas, revemos velhas fotos, esprememos os miolos à busca de velhas memórias, vamos à cozinha tomamos um café, folheamos o jornal de ontem, as revistas de passadas semanas, vamos ao jardim, levamos o lixo para fora, atendemos telefones (com raiva, afinal ele nos dispersou a concentração), lemos velhas cartas, ou os e-mails que nos enchem a caixa, enfim feito fantasmas vagamos, ora com o corpo, ora com a mente pela casa e pelo espaço/tempo.

Então passadas as horas, desesperados, sentamo-nos em frente ao monitor e contamos a miséria que foi o dia de hoje, o “ter de escrever”, e voilá, temos a crônica ali, bonitinha, rindo de nossa cara, de nosso desespero, de nossa aflição, de nossa camisa ensopada de suor.

A crônica é peleja, um medir de forças, em que o vencedor é sempre e sempre o leitor, que recebe essa futilidade, essa falta de assunto, esse divagar sem sentido, esse dado histórico, essa fotografia do dia a dia.

A Crônica é uma razão de viver.


Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com


sábado, 7 de abril de 2012

Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado


Roberto Prado colabora com o Folhetim Cultural desde o início de 2011, Devaneios do Ranzinza aos sábados e terças feiras ás 20 horas e o Chá das 5 uma vez ao mês no sábado e quinta feira. Roberto Prado já publicou dois livros pela (CBJE) Câmara Brasileira de Jovens Escritores.



E-mail Folhetim Cultural : folhetimcultural@hotmail.com

Twitter Folhetim Cultural: http://twitter.com/#!/FolhetimCultura



E-mail de Roberto Prado: rpjbarbosa@gmail.com

Comente sobre Roberto Prado no Twitter com a Hashtag: #RobertoPradoFolhetim




Sina – Um Micro Conto



Depois de ver  uma velha mendiga despir-se no meio da rua antes do almoço, e quase perde o apetite, um “gorila” vestindo um macacão em que estava escrito “Serviços Braçais Especializados”, me aparece uma cigana com celular na mão, querendo ler a minha sorte.
Colocando ambas as mãos nos bolsos, respondi-lhe:

- Do jeito que está a droga do meu dia, só falta você dizer que vou encontrar a Amy Winehouse pela frente!

Enquanto ela me olhava pasmada, apertei o passo e fugi de meu destino...


sábado, 31 de março de 2012

Chá das 5 com Roberto Prado


ILHA AMALDIÇOADA

(os corvos, crocitam)

ilha amaldiçoada
mentes tua nascença
e propagandeias essa falácia
(até no exterior)
humilhas teu povo
que paga os impostos em dia
ilha amaldiçoada
que o mar não te engole
que a terra não te devora
ilha amaldiçoada
poluis o mar que te cerca
cagas a água bebe
(e pagas por ela)
sujas a terra que pisa
tratas teus cidadãos
como se crustáceos fossem
deixa-os em mangues
doentes e sub-humanos
ilha amaldiçoada
pois sois sim, a bem da verdade,
o portal do tártaro
onde a cada quatro anos
elegemos um caronte novo
(isso quando não o reelegemos!)
para nos manter no rumo certo
direto ao inferno
ilha amaldiçoada
tens tuas vias expressas
com buracos, lombadas
crimes e mortes
ilha amaldiçoada
terra de mosquitos
doenças e vereadores demais
mentes em ser a primeira
quando na verdade sois a última
ilha amaldiçoada
das grandiosidades vazias
do farol inútil
(alguém me diga a que se presta aquilo?)
das ruas sem luzes
sem asfalto
sem higiene
ilha amaldiçoada
onde as crianças
são loiras por anemia
barrigudas por vermes
doentes do nascimento à morte
das jovens mães de tantos filhos
(de tantos pais diferentes)
ilha amaldiçoada
das palafitas
dos pés na lama
do horizonte tão curto
dos urubus em cada esquina
ilha mil vezes amaldiçoada
que o português após fundá-la
deixou-a para a esposa administrar
e foi ser capitão-mor do mar das índias
deixando cá seus silvícolas
ilha amaldiçoada
cujo o único bem
de real valor desconheces

- oh! memorioso...

bem que tentastes me mostrar
algo de valoroso por essa terra
mas hás de concordar
ainda não lograstes tal intento!
ilha amaldiçoada
te tantos hospitais e tão poucos médicos
ilha de obras grandes, vazias e inúteis
onde nem teu padroeiro dá remédio

- bebam pois em teu santo nome, em vão!

ilha amaldiçoada que já foi das vinhas
e hoje és de minha ira
ilha, que bem te fez assim o criador,
pois se fosses um continente...