sábado, 20 de abril de 2013

Fim de Semana Literário: Chá das 5: Carolina Pinheiro Lomba


A partir deste mês o Folhetim Cultural nos fins de semana será dedicado a literatura com postagens de vários autores convidados. Aos sábados em duas edições o Chá das 5 ás 5 da manhã e ás 17 horas. É uma das nossas atrações.

Participe desta iniciativa enviando seus textos para publicarmos: folhetimcultural@hotmail.com

Em Junho iremos lançar a revista digital Folhetim Cultural peça a sua pelo e-mail: folhetimcultural@hotmail.com


               

Nasci em Suzano mas moro em Poá desde os 3 dias de idade. Sempre adorei ler o que me deu mais criatividade para escrever. Adoro jogar, estudar, ouvir música (o gênero depende muito do meu humor ou do que estou fazendo).

Carolina Pinheiro Lomba uma vez por mês irá contribuir com este espaço.

Não existe separação física quando as duas almas são conectadas pelo amor. 



Minha luz

Eu não quero ouvir nada,
que não seja sua voz.
Eu não quero sentir nada,
que não seja seu corpo.
O escuro não me perturba mais...
Você me protege, é a minha luz.
Você me tirou do vazio
e me guardou só pra você.
Eu não tenho do que reclamar.
Eu não quero ouvir nada,
que não seja sua voz.
Eu não quero sentir nada,
que não seja seu corpo.
Eu não quero focar em nada,
que não seja seus olhos.
Eu só quero viver esse amor
e me esquecer do mundo.
Não existe mais nada,
só eu e você.
Você que é meu único orgulho,
você que é a razão da minha lucidez,
dedicação e admiração.
E eu não quero ouvir mais nada,
que não seja sua voz.
E eu não quero sentir mais nada,
Que não seja o seu amor.



Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas
12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.
12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.

domingo, 14 de abril de 2013

Fim de Semana Literário: Prosa Literária entrevista na íntegra com Lucília Garcez





Na edição de Outubro especial de aniversário de 15 anos a revista Bravo da Editora Abril, pediu para especialistas falarem sobre os 15 fatos mais relevantes da cultura brasileira nos últimos 15 anos. Segundo a revista o fato mais relevante de número 1 foi o florescimento da escrita causada com o impacto da tecnologia.


Concorda com isso e por quê?

Concordo sim. As novas tecnologias estão motivando as pessoas a escreverem muito. Quando já se tinha perdido o hábito de escrever cartas, as pessoas agora escrevem e-mails. Escritores que se intimidavam com o contato com editoras agora criam seus blogs e depois lançam seus livros impressos. O Facebook estimulou o contato por escrito entre as pessoas. Hoje se escreve muito mais do que há dez anos.

Como você avalia o trabalho realizado na educação (pelo Governo Federal) nos últimos 20 anos?
Houve essa democratização, há um esforço para garantir merenda, uniforme, transporte, livro didático, biblioteca escolar, prédios, quadras esportivas  (são inúmeros itens), mas ainda falta muito para a qualificação contínua dos professores. Trabalhei em um programa de formação para professores de séries iniciais (Praler), mas ficou na gaveta do MEC.
Você é a favor da cota racial nas universidades, por quê?
Sou muito a favor. Nossa dívida com os negros é muito grande. Abolimos a escravidão e os deixamos na miséria. Com o tempo vai haver igualdade social decorrente dessas chances que estão sendo dadas à população negra.
Qual seu autor favorito?

Não posso escolher apenas um: amo Machado de Assis, adoro Graciliano Ramos, Rubem Braga, Guimarães Rosa, Milton Hatoum, Raduam Nassar, José Lins do Rego, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Lígia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Chico Buarque... E entre os estrangeiros Philip Roth, Marguerite Duras, Katherine Mansfield, Sandor Marai, Gabriel Garcia Marques... A lista não tem fim.

Seu primeiro livro infantil é sobre Luiz Gonzaga que ano passado completou 100 anos de seu nascimento. Dá para mensurar a importância de grandes nomes da arte para a cultura brasileira?
Um país consolida sua identidade por meio de seus artistas, seus criadores. Somos o que nossos artistas produziram sobre nós. Por isso é muito importante que as crianças conheçam e valorizem esses artistas. Imagine o que seria de nosso país sem nossos músicos, sem nossos pintores, sem nossos cineastas, sem nossos escritores... Não existiríamos como nação. Seríamos um bando de ignorantes sem importância nenhuma no mundo.
É claro que não poderíamos deixar de falar de seu recente trabalho.
Como foi o processo de criação de seu mais recente livro, O Descobrimento do Rio Amazonas, o que levou a escreve lo?
A ideia original foi do meu amigo ilustrador Jô Oliveira. Tínhamos planejado fazer o livro juntos, mas ele estava envolvido com outros trabalhos  e me liberou para trabalhar com outro ilustrador. Partimos do original do Frei Carvajal, que fez parte da expedição e escreveu um livro contando a aventura. Foi uma adaptação.
Fale de suas parcerias com ilustradores, e em especial a do Ciro Fernandes?
Ciro é muito amigo do Jô Oliveira, que foi quem o indicou para a editora. Já conhecia e admirava muito o trabalho dele. Foi uma honra ter um livro ilustrado com gravuras tão lindas de um gravador tão competente. Às vezes começo um trabalho já combinado com o Jô Oliveira, outras vezes a editora indica o ilustrador. Sempre tenho que aprovar as ilustrações antes de o livro ir para a gráfica. Tive sorte. Todos são ótimos.
Fale mais de seu amigo Jô Oliveira e os trabalhos em conjunto que fazem.

Jô é um ilustrador internacionalmente conhecido. Estivemos em Bologna para a Feira de Livros Infanto-juvenis e lá na Itália ele é conhecido como “cangaceiro” e tem até um agente. Ele já fez mais de cinquenta selos para os Correios e ganhou duas vezes o prêmio de melhor selo do mundo. Já ilustrou mais de 70 livros. Foi ele que me desafiou a escrever para crianças. Eu já tinha dois livros técnicos e ele chegou na minha casa com algumas ilustrações sobre a infância do Luiz Gonzaga me pedindo para escrever o texto. Eu tremi nas bases, mas aceitei o desafio. Depois do texto pronto ele completou as ilustrações e o livro saiu pela Editora Dimensão, de Belo Horizonte. Aí nós não paramos mais...

Escrever um livro é mais inspiração ou transpiração?

É uma questão de decisão. Escrever é decidir escrever e transpirar até conseguir colocar um texto em seu formato final. A inspiração acontece depois da decisão de escrever, durante o processo de escrita.

Você é autora de vários livros e vários gêneros, qual você mais se apega tanto para ler, quanto escrever?
Gosto muito de narrativas históricas, por meio das quais aprendemos alguma coisa, tomamos conhecimento de fatos que não sabíamos. Acho que a literatura, além de dar prazer, ela pode ensinar.
De que forma a Literatura entrou em sua vida?
Gosto de ler desde criança. Sou uma leitora voraz. Leio todos os dias, sem parar. Já li todo o Proust, todo o Machado, Rubem Braga, Drummond... Sou uma leitora eclética. Vou dos clássicos aos Best Sellers. Um dia o Jô Oliveira me desafiou a escrever para crianças e de lá pra cá eu não parei.
A literatura é mal aplicada para a juventude?

O problema é que muitos professores não são leitores, não amam a leitura, e por isso não conseguem estimular os jovens. Muitos dizem assim: “este livro vai cair no vestibular, mas é muito chato...” Quem ama a leitura acaba contaminando os outros. Quando você fala com paixão dos livros que lê acaba por despertar o desejo no outro de passar pela mesma experiência prazerosa.

Há ainda sonhos na literatura que deseja realizar, quais?
Estou tentando escrever um romance para adultos. Quem sabe um dia ele sai?

Poderia nos adiantar mais sobre o romance para adultos que pretende escrever?

Ainda estou muito no começo. Estou achando muito difícil criar todo um mundo apenas com a imaginação. Será um livro de amor, que é a coisa mais importante na vida, é isso que eu posso dizer.

O Brasil tem a fama de não valorizar seus filhos como você vê essa situação?
Penso que isso está mudando. Nossa memória está sendo mais bem cuidada e as escolas estão tentando valorizar o que temos de bom.
Muitos artigos de jornal, revistas e sites indicam que a educação está na UTI, você que é educadora faz essa análise em relação à rede de ensino do nosso país?
Houve uma democratização muito grande do acesso à escola, mas isso não foi acompanhado de uma qualidade do ensino. Acredito que tudo está na preparação contínua dos professores. Escolas que investem em seus professores têm ótimos resultados. Mesmo na era da informática, o professor é essencial.
O planejamento do Ministério da Educação é de até 2016, 50% das universidades seja formada por alunos beneficiados pela cota social, este é o caminho para a construção de um país mais justo e de igualdade de oportunidades?
Sou muito favorável às cotas. Elas garantem oportunidade para todos. Temos uma grande dívida social com a população. Tanto com os negros, como com os indígenas como com os pobres. É preciso corrigir isso com ações afirmativas efetivas, que diminuam as distâncias entre as classes e as etnias.
Muitos reclamam das leis do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) dizendo que elas são ultrapassadas, como você avalia o Eca, a forma que as crianças são tratadas e o tratamento dado no Brasil a menores infratores?
Penso que a infância tem que ser assistida integralmente pelos poderes públicos. Creches, escolas, esporte, atividades artísticas devem estar disponíveis para que todas as crianças tenham chance de uma vida digna. Essa quantidade enorme de menores infratores, envolvidos com as drogas e com o crime organizado, é consequência de escolas precárias, que não cumprem o seu dever social de manter esses jovens interessados e motivados para o estudo e a qualificação profissional.
Você é a favor da diminuição da maioridade penal, por quê?
Antes disso penso que nossas instituições que abrigam jovens infratores têm que ser realmente educativas e não apenas um depósito ou uma escola de criminalidade. Quando isso acontecer, talvez não precisasse diminuir a maioridade penal.
Qual a responsabilidade da escola na formação do cidadão?

Famílias muito pobres não têm condições de oferecer aos seus filhos uma perspectiva positiva de futuro. A escola tem essa tarefa. Ela pode mostrar novos horizontes, motivar a criança para um futuro melhor, ajudá-la na aquisição de habilidades e competências necessárias para atuar no mundo, apresentar a ela opções de vida mais produtivas, valores sociais e de cidadania, ética, esperança. Sabemos que pela escola muitas crianças ultrapassam a realidade dos pais e vão mais longe.

Na edição de Outubro especial de aniversário de 15 anos a revista Bravo da Editora Abril, pediu para especialistas falarem sobre os 15 fatos mais relevantes da cultura brasileira nos últimos 15 anos. Segundo a revista o fato mais relevante de número 1 foi o florescimento da escrita causada com o impacto da tecnologia.

Concorda com isso e por quê?

Concordo sim. As novas tecnologias estão motivando as pessoas a escreverem muito. Quando já se tinha perdido o hábito de escrever cartas, as pessoas agora escrevem e-mails. Escritores que se intimidavam com o contato com editoras agora criam seus blogs e depois lançam seus livros impressos. O Facebook estimulou o contato por escrito entre as pessoas. Hoje se escreve muito mais do que há dez anos.
   
Você sonha com quê?

Com um mundo mais justo, mais cheio de harmonia, sem tantas diferenças sociais, sem tanto sofrimento.

Clarice Lispector já foi jornalista e perguntava ao final da entrevista para o entrevistado o que é o amor, uma vez entrevistei o ator Caio Blat e ele me respondeu: Não sei. Você saberia me explicar o que é o amor? (risos)

Rapidinhas

Melhor livro que já leu: impossível dizer. Mas “Em busca do tempo perdido”, de Proust, poderia servir de resposta.

Melhor político (se é que dá para escolher):

Melhor programa para o fim de semana: um banho de mar, uma barraca, uma rede  e um livro.

Lugar que gostaria de conhecer: você não é ninguém até conhecer as Muralhas da China.

Definindo em uma frase

Deus: energia positiva que está em todos nós.

Religião: pensamentos positivos dirigidos a todos.

Literatura: uma forma de felicidade infinita para o leitor.

Poesia: ressurreição das palavras.

Carlos Drummond de Andrade: tradutor perfeito da alma brasileira.

Jô Oliveira: amizade e estímulo.

Amizade: corações que conversam.

Cultura: tudo que nos traduz.

Brasil: uma potência em expansão.

Carnaval: alegria do povo.

Futebol: paixão nacional.

Deixe seu convite para os nosso leitores lerem seu recente trabalho O Descobrimento do Rio Amazonas.

Venham conhecer a história cheia de aventura da descoberta de nosso rio/mar.

Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.

Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário: Chá das 5 Dominical Claudio Domingos Fernandes



Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.

Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Chá das 5 Dominical será uma das nossas atrações no domingo passado tivemos a participação do trovador Ailton Sales, neste temos o professor de filosofia e italiano Claudio Domingos Fernandes.


RAÇA NÃO EXISTE!?

Está rolando no face um texto do Danilo Gentili ao qual faço algumas considerações. 


O termo raça para classificar o gênero humano foi normalmente utilizado nos livros científicos até meado dos anos 70. No entanto os avanços científicos  principalmente com o Projeto Genoma, demonstrou que o conceito raça não se aplica à espécie humana. Assim diz Guido Barbujani: “As raças nós a inventamos e nós as levamos a sério por séculos”. Esta invenção permitiu que povos inteiros fossem escravizados e ou exterminados pela vilania de uns poucos detentores das armas e do saber. Então, enquanto conveio as raças existiram.
Da ideia da raça, então, “resultaram os mais terríveis massacres da história” e “quer sob forma de conceito ideológico gerado na Europa, ou como explicação de emergência para as experiências chocantes e sangrentas, sempre atraiu os piores elementos da civilização ocidental” (Hannah Arendt – Origens do Totalitarismo)
Assim a caracterização de humanos em categorias “brancos” e “negros”, não resulta, como é evidente, de uma desvalia natural ou genética. Mas de uma construção ideológica daqueles que controlavam, e ainda controlam, a informação e a produção do conhecimento. Culturalmente, então, o que é pior, raça existe e delimita, sim, privilégios e regalias para uns e desconsideração e desrespeito para outros. As mesmas condições valem para as categorias homem-mulher em algumas relações econômicas e de participação política.

Oliveira Martins, político e escritor português, com forte influência no Brasil de inicio do século XX, em 1881 afirmava: “Há decerto, e abundam os documentos que nos mostram no negro um tipo antropologicamente inferior, não raro próximo do antropoide  e bem pouco digno do nome de homem”. Isso está muito próximo das declarações de Marco Feliciano, para quem o “negro” e suas manifestações culturais são amaldiçoadas. E estamos no século XXI, quando afirmamos ter superado o conceito de “raça”.

O texto do Gentili é bacana, ele combate o politicamente correto, mas também evidencia algo que Florestan Fernandes já denunciava: temos dois níveis diferentes de percepção da realidade e de ação ligados com a “cor” e a “raça”: primeiro, o nível manifesto, em que a igualdade racial e a democracia racial se presumem e proclamam; segundo, o nível disfarçado, em que funções colaterais agem através, abaixo e além da estratificação social. No entanto, o aspecto da situação racial no Brasil, que mais impressiona, aparece sob a negação incisiva de qualquer problema “racial” ou de “cor”. 

Eu não acho graça nenhuma em chamar gordo de baleia, nem mesmo de obeso, homossexual de veado, loira de burra etc. Já fui muitas vezes chamado de macaco, de tiziu, de negro fedido, algumas vezes me senti ofendido, outras não dei bola alguma. Já fui muitas vezes “sarreado” por trocar o ‘r’ pelo ‘l’, eu ficava dias sem falar. Hoje, dou risada de quem ri, como deu vontade de rir do policial que me parou e deu-me geral, enquanto meus amigos brancos olhavam. Quando nos encontramos damos muita risada disto. Mas não ignoramos que a atitude do policial foi preconceituosa. Somos seres lúdicos e seres bélicos, e sabemos quando alguém esta brincando e quando está ofendendo. Então não é o dizer as coisas, mas o como as coisas são ditas que ofende. O humor só é humor se congrega, se diverte e cria harmonia entre os participantes, caso contrario é sarcasmo. E o sarcasmo é uma forma sutil de humilhar o outro. E quando eu tenho que explicar minha piada, eu já deixei de ser engraçado. 

Claudio Domingos Fernandes

Fim de Semana Literário: Literatura Nossa Cora Coralina


Literatura Nossa 

Produção Dhyne Paiva


Velho

Estás morto, estás velho, estás cansado!

Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado

Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,

Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,

Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.


Autora: Cora Coralina



Sobre a autora:

            Cora Coralina, nasceu na cidade de Goiás em 20 de agosto de 1889. Foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras. 


            Cora Coralina já escrevia poemas em 1903 e chegou a publicá-los no jornal de poemas femininos "A Rosa", em 1908. Em 1910, foi publicado o seu conto "Tragédia na Roça" no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás".  Em 1911, Fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem teve seis filhos. É convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas é impedida pelo seu marido.



            Em 1934, trabalhou como vendedora de livros na editora José Olimpio, que lança seu primeiro livro em 1965 "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado o livro "Meu Livro de Cordel" pela editora Goiana. Mas o interesse do grande público é despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.



            Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983.



            Cora faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985, aos 95 anos. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.

Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

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Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

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Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
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Fim de Semana Literário: No Café da Manhã com Poesia: Poesia A Uma Amiga por Magno Oliveira



Está coluna é publicada todas as manhãs de sábado e domingo.

Magno Oliveira criou o blog Folhetim Cultural em 2010 com o radialista Bruno Martins. A poesia Heroico Sorriso foi publicada no ano de 2011 no livro Antologia Poética do 1° Concurso de Poesias Augusto dos Anjos. Em 2012 criou seu blog oficial Poeta Magno Oliveira e em breve será lançado o livro: Poesias de Magno Oliveira Vol 1






Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
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Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

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Poesia: A Uma Amiga




Seu sorriso

Me dá toda calma que preciso.

Seu sorriso bonito
Me dá a paz que necessito.
Seu sorriso impera, reluz, encanta e passa alegria...
Me guia, me mostra a luz, é a fonte que tenho para seguir
E enfrentar os desafios do dia a dia.
Seu sorriso me faz sorrir...
Te ouvir mesmo que seja para me criticar
É bom, se faz necessário em meu viver, em meu amar.
Eu preciso lhe ouvir para crescer,
Para lutar, você é especial,
Se faz no meu dia a dia essencial.

Fim de Semana Literário: Chá das 5 Dominical Claudio Domingos Fernandes


Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

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No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.

Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Chá das 5 Dominical será uma das nossas atrações no domingo passado tivemos a participação do trovador Ailton Sales, neste temos o professor de filosofia e italiano Claudio Domingos Fernandes.


RAÇA NÃO EXISTE!?

Está rolando no face um texto do Danilo Gentili ao qual faço algumas considerações. 


O termo raça para classificar o gênero humano foi normalmente utilizado nos livros científicos até meado dos anos 70. No entanto os avanços científicos  principalmente com o Projeto Genoma, demonstrou que o conceito raça não se aplica à espécie humana. Assim diz Guido Barbujani: “As raças nós a inventamos e nós as levamos a sério por séculos”. Esta invenção permitiu que povos inteiros fossem escravizados e ou exterminados pela vilania de uns poucos detentores das armas e do saber. Então, enquanto conveio as raças existiram.
Da ideia da raça, então, “resultaram os mais terríveis massacres da história” e “quer sob forma de conceito ideológico gerado na Europa, ou como explicação de emergência para as experiências chocantes e sangrentas, sempre atraiu os piores elementos da civilização ocidental” (Hannah Arendt – Origens do Totalitarismo)
Assim a caracterização de humanos em categorias “brancos” e “negros”, não resulta, como é evidente, de uma desvalia natural ou genética. Mas de uma construção ideológica daqueles que controlavam, e ainda controlam, a informação e a produção do conhecimento. Culturalmente, então, o que é pior, raça existe e delimita, sim, privilégios e regalias para uns e desconsideração e desrespeito para outros. As mesmas condições valem para as categorias homem-mulher em algumas relações econômicas e de participação política.

Oliveira Martins, político e escritor português, com forte influência no Brasil de inicio do século XX, em 1881 afirmava: “Há decerto, e abundam os documentos que nos mostram no negro um tipo antropologicamente inferior, não raro próximo do antropoide  e bem pouco digno do nome de homem”. Isso está muito próximo das declarações de Marco Feliciano, para quem o “negro” e suas manifestações culturais são amaldiçoadas. E estamos no século XXI, quando afirmamos ter superado o conceito de “raça”.

O texto do Gentili é bacana, ele combate o politicamente correto, mas também evidencia algo que Florestan Fernandes já denunciava: temos dois níveis diferentes de percepção da realidade e de ação ligados com a “cor” e a “raça”: primeiro, o nível manifesto, em que a igualdade racial e a democracia racial se presumem e proclamam; segundo, o nível disfarçado, em que funções colaterais agem através, abaixo e além da estratificação social. No entanto, o aspecto da situação racial no Brasil, que mais impressiona, aparece sob a negação incisiva de qualquer problema “racial” ou de “cor”. 

Eu não acho graça nenhuma em chamar gordo de baleia, nem mesmo de obeso, homossexual de veado, loira de burra etc. Já fui muitas vezes chamado de macaco, de tiziu, de negro fedido, algumas vezes me senti ofendido, outras não dei bola alguma. Já fui muitas vezes “sarreado” por trocar o ‘r’ pelo ‘l’, eu ficava dias sem falar. Hoje, dou risada de quem ri, como deu vontade de rir do policial que me parou e deu-me geral, enquanto meus amigos brancos olhavam. Quando nos encontramos damos muita risada disto. Mas não ignoramos que a atitude do policial foi preconceituosa. Somos seres lúdicos e seres bélicos, e sabemos quando alguém esta brincando e quando está ofendendo. Então não é o dizer as coisas, mas o como as coisas são ditas que ofende. O humor só é humor se congrega, se diverte e cria harmonia entre os participantes, caso contrario é sarcasmo. E o sarcasmo é uma forma sutil de humilhar o outro. E quando eu tenho que explicar minha piada, eu já deixei de ser engraçado. 

Claudio Domingos Fernandes