Arquivo da Música: Nando Reis

Sobre Nando Reis por ele mesmo:

Fui batizado com o nome de José Fernando. Filho de Cecília Leonel e José Carlos Galvão Gomes dos Reis, nascido no dia 12 de janeiro de 1963. Como meus irmãos homens, José Carlos e José Luiz, recebi o prenome de José, que se incumbiria de resumir toda a extensão de minha vocação católica. Minhas irmãs, Marias, se tornaram Cecília e Luiza. Fui batizado, mas não fiz primeira comunhão.
Nando Reis Tocando


































Na minha casa sempre ouvimos muita música. Minha mãe era professora de violão e meu pai engenheiro. Ela cantava bem, sua voz era linda. Ele era fã de Jorge Ben e de seu primeiro disco: “Samba Esquema Novo”. Meu irmão mais velho, Carlito, me ensinou a ouvir rock’n’roll e comprou o primeiro Rolling Stones que vi: “Between the Buttons”. Minha irmã mais velha, Quilha, me ensinou a tocar violão; me levou também para assistir Barra 72, um show da Gal e do Gil quando ele voltou do exílio. Eu era pequeno. O meu outro irmão, Zeco, era surdo e me ensinou a respeitar o silêncio. A Lulu, a mais nova, excepcional, me ensinou a brincar.





Ganhei o meu primeiro violão da minha Vó Jú quando tinha sete anos. Era um Gianinni pequeno, que eu tinha há até bem pouco tempo. Aprendi os primeiros acordes com as aulas da minha irmã, mas acho que aprendi mesmo a tocar violão quando tirei sozinho todas as músicas do disco de Londres do Caetano. Conseguir tocar as músicas que eu gostava de ouvir me deu uma sensação de satisfação impressionante.
Carlito tinha uma turma de amigos que tinha um grupo de rock. Ensaiavam na garagem da casa do pai do baixista. Eu me lembro de ter ido assistir a alguns desses ensaios e de ter ficado impressionado com os solos do guitarrista. Pedia que ele me ensinasse a solar. Achava muito estranho alguém gostar de tocar baixo. Fui ter aulas de bateria com a professora Arlete. Nunca consegui solar. Acabei sendo baixista.





A primeira música dos Beatles que me comoveu foi “O-bla-di O-bla-da”. Ficava dançando na sala, de tarde. Minha vó me trouxe o “Let it Be” da Inglaterra, numa edição que tinha um álbum de fotos das sessões de gravação. Meu beatle predileto era George Harrison e numa foto ele usava uma camisa roxa. Aquilo tudo era muito diferente e parecia ser muito atraente. Minha mãe, algum tempo depois, me deu o “Led Zeppelin III”. Até hoje nunca vi capa mais bonita.
Quando eu tinha 10, 11 anos, costumava fazer eleições diárias de qual era a música que eu mais gostava. Alice Cooper ganhava seguidamente. Eu costumava imitá-lo em frente ao espelho vestindo um minhocão (que era uma calça de pijama) com umas botas de cano alto da minha irmã e tocando uma vassoura piaçava. Não sei qual foi a minha felicidade quando eu soube que ele viria tocar no Brasil. Assistir ao Alice Cooper no Palácio das Convenções foi uma experiência inesquecível.





Tive aulas de harmonia, violão clássico e popular com o Alexandre, o “Maranhão”, um amigo do Carlito que tocava muito bem. Nessa época tocava violão a tarde inteira e gostava de fazer músicas. Sempre escrevi muito, fazia “livros”, poesias e gostava de mandar cartas. Fazia músicas em cima de alguns poemas, em geral, longos. Sempre gostei de músicas longas.
Entrei no Colégio Equipe em 1978. Tinha um turma de amigos que era um time de futebol e fazia uma revista em quadrinhos, “O Papagaio”. Quase todo mundo tocava. Quando soube que o Santa Cruz estava abrindo as inscrições para o “Segundo Festival Secundarista de Música” chamei o Tonico Carvalhosa, o Paulo Monteiro, o Cao Hamburguer e o Marcelo Mangabeira para a gente ensaiar uma música. Assim nasceram “Os Camarões”, uma banda inspirada na Banda do Zé Pretinho de Jorge Ben e nos Wailers de Bob Marley, com backing vocais femininos e tudo o mais (formado pela Teca Berlinck, Inês Stockler e Gláucia, irmã de Britto).






Subimos ao palco pela primeira vez vestidos de branco para defender a música “Pomar” de minha autoria e de Paulo Monteiro. Passamos pelas eliminatórias e acabamos – para espanto e emoção de todos nós – vencendo o primeiro prêmio. Foiuma comoção, pois a platéia estava totalmente ao nosso lado e já havia decorado o facílimo refrão. Foram os treze minutos mais longos da minha história. Embalado pelo êxito da empreitada (e pela grana do prêmio que nos permitiu comprar dois amplificadores Gianinnis – “baguinhos” – que duraram até os primeiros ensaios dos Titãs) começamos a ensaiar muito.
Éramos um “sucesso” no circuito secundarista. Nos inscrevemos para o Festival da Feira da Vila Madalena defendendo a música “O Cheiro de Beterraba” de Vange Leonel que, nessa época, já fazia parte da banda. Não ganhamos nada, mas entramos no disco que a Continental lançou com os vencedores e os participantes. Lá estavam Itamar Assumpção (segundo
lugar com “Nego Dito Beleléu”), Paulo Miklos e Arnaldo Antunes, com a música “Desenho” de autoria dos dois. A banda acabou como se acabam as coisas aos dezessete anos. Sem saber o porquê.







































Quando acabei o colegial fiquei três anos esperando para passar no vestibular de Matemática. Quando finalmente entrei na UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos) os Titãs já começavam a montar o seu primeiro show. Acho que a minha inaptidão para as Ciências Exatas, somada à distância que me fazia perder muitos ensaios, me levou a abandonar o curso antes de completar o primeiro ano. Eu me lembro de ter chorado muito no dia que disse aos meus pais que não ia mais continuar a faculdade. Eles, apesar de preocupados, me apoiaram.
Em 15 de outubro de 1982, à meia-noite, na choperia do Sesc Pompéia, os Titãs entraram no palco pela primeira vez para apresentar um show inteiramente seu – nosso, no caso. Com cenário, figurinos, luz e repertório próprio apresentamos por duas noites seguidas um show estranho e ousado que a princípio só mobilizou os amigos, mas que, graças a nossa insistência e vocação, se repetiria por todos os buracos dessa cidade até que uma gravadora resolvesse nos contratar. Nessa época Ciro Pessoa estava com a gente.




































Depois de mandar fitas cassetes para todas as gravadoras com repertório gravado e ensaiado à exaustão num estúdio nos fundos da casa do pai do André Jung, o nosso baterista; e depois de recusar com veemência uma proposta para gravar um compacto simples através da intermediação feita por Pena Schimdt, acabamos assinando um contrato para gravação de um Long-Play com a Warner Music.
Dentro do estúdio Áudio Patrulha, nos buracos que nos permitia a sua agenda lotada para gravação de jingles, em julho de 1984, terminamos o disco “Titãs”. Foi a minha primeira experiência diante de um estúdio de “verdade” com uma mesa de 24 canais. Toquei baixo em algumas faixas, em um instrumento emprestado. (Esqueci de comentar que no começo eu era apenas backing vocalista dos Titãs e que fui conquistando meu novo posto ao longo dos ensaios).






Gravei como cantor pela primeira vez duas versões minhas: “Marvin” (com Sergio Britto) e “Querem meu Sangue”. Nessa época já havia sido convidado para cantar alguns reggaes no Sossega Leão no lugar do Paulo Miklos. O Sossega Leão era uma banda de baile especializada em música caribenha, também numerosa, composta por músicos profissionais que tinha uma agenda lotada de apresentações de suas “Noites do Caribe”. Pela primeira vez comecei a ganhar algum dinheiro com música, o que sedimentou a minha já “antiga” vontade de casar.



Me casei no dia 14 de fevereiro de 1985 num cartório alí na Praça da Árvore, vizinho à casa dos pais da Vânia, colega de classe conhecida no Equipe, musa da minha primeira canção e agora minha mulher.
Em 1985 convidamos Lulu Santos para produzir o nosso segundo LP. Gravado em São Paulo nos estúdio Transamérica, contribuí com duas músicas: “O Homem Cinza” e “Pra Dizer Adeus” em parceria com Tony Bellotto. Em 16 de janeiro de 1986 nasce Theodoro Passos Reis, o Théo, nosso primeiro filho, prenúncio de que um ano fundamental estava se iniciando.
Depois de algum tempo nos observando à distância, finalmente quebramos o gelo e iniciamos uma parceria que iria também mudar as nossas vidas: os Titãs gravaram o LP “Cabeça Dinossauro” com a produção de Liminha. Gravado depois da absurda prisão do Arnaldo, o repertório do disco revelava uma completa mudança nas letras da banda. Colaborei com mais
três músicas: “Homem Primata”, “Igreja” e “Bichos Escrotos”. Essas últimas proibidas para serem difundidas tanto na TV quanto no rádio pelo Departamento de Censura Federal. Esse disco foi consecutivamente premiado e chegou ao seu ápice ao ser votado como o disco da década.



Em 87 é lançado “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, o meu disco predileto, com a graça de não ter nem lado A ou B, mas sim lado C e D, um lado mais eletrônico e outro eletrificado. De minha autoria, as parcerias “Diversão” e “Nome aos Bois”, nos rendeu uma enorme polêmica com os donos dos nomes listados e a faixa título.
Em primeiro de junho de 88 nasce Sophia, nossa querida filha. Vinte dias depois embarcávamos para Londres para nos prepararmos para a primeiraapresentação internacional dos Titãs, na noite de rock do 22o Festival de Jazz de Montreaux. O LP “Go Back”, gravado ao vivo no festival, chega às rádios e transforma “Marvin” num estrondoso sucesso nacional. O mundo revela ser muito mais real do que o sucesso. Devastada por um câncer fulminante, em 19 de junho de 1989, morre minha mãe, Cecília.
Nos enfiamos por 3 meses no “Nas Nuvens” para preparar “Õ Blésq Blom”nosso disco mais ambicioso. As parcerias “Raciosímio”, “Deus e o Diabo”, “Faculdade” e “O Camelo e o Dromedário” sobre um tema tão excêntrico quanto recorrente, nascem num período onde as composições coletivas se tornam cada vez mais constantes.





Cansados de tanta parafernália eletrônica que tínhamos que acionar cada vez que subíamos ao palco,
decidimos voltar ao básico. Entramos em estúdio para, pela primeira vez, produzirmos um disco nosso. Assinando também pela primeira vez as músicas em conjunto (como Titãs), o nosso trabalho não considera mais fronteiras. Produzir, arranjar, compor, tudo é dividido e assumido por todos. Assim fizemos “Tudo ao mesmo tempo agora”, disco que quebrou a corrente de unanimidade em torno do nosso trabalho. O rádio não tocou, a crítica não falou, o público não comprou.
Sou convidado para produzir o disco de Vange Leonel. Junto com Charles Gavin, trabalhando praticamente em trio, terminamos “Vange” com repertório integralmente composto por Vange Leonel e Cilmara Bedaque. Estoura o hit “Noite Preta”. Pude tocar baixo e violão neste disco maravilhoso.
Nesse tempo iniciava uma outra importante parceria na minha vida: Marisa Monte gravava seu segundo disco, “Mais”, com três canções nossas (”Ainda Lembro”, “Tudo pela metade” e “Mustafá”) e uma outra inédita minha: “Diariamente”. Foi a primeira vez que uma composição minha foi gravada fora dos Titãs. Começo a me livrar de tantas dúvidas a respeito de minha capacidade criativa e a acreditar que minhas músicas podem ser boas.
Entro no período mais estranho da minha vida, o mais dividido e instável. Vivo musicalmente uma ambiguidade: minha banda escolhe o caminho mais radical e pesado para o seu próximo CD, mas nada do que eu componho parece se encaixar no repertório. No meio dos ensaios para o “Titanomaquia”, Arnaldo se desliga da banda. Escolhemos Jack Endino para
produzir o disco. Tudo fica muito esquisito. Depois da turnê resolvemos nos dar umas “férias”.





Volto a trabalhar com Marisa, compondo para o seu próximo CD. Me sinto muito mais integrado ao seu universo musical, que na verdade incorpora o meu universo autoral. Sou convidado para gravar algumas faixas do “Cor de Rosa e Carvão (Verde, Anil, Amarelo)”. O disco é um momento de rara inspiração: um marco. Conheço Cássia Eller pessoalmente; ela grava “E.C.T.”.
Sou convidado a participar como produtor do programa “Gastão Redescobre o Brasil” da MTV. Produzo o CD da banda “Nomad”. Cidade Negra estoura com “Onde Você Mora”, minha e de Marisa. Somos premiados (eu, Marisa e Carlinhos Brown) pela APCA como melhores compositores pelo disco “Cor de Rosa e Carvão”.
Em janeiro de 95 entro no estúdio para gravar meu primeiro disco solo. Começo gravando na Bahia as percussões e o violão de Roberto Mendes. No Rio de Janeiro, junto de Cesinha, Luiz Brasil, Dadi e Marcos Suzano, terminamos “12 de Janeiro”, o que me deixa feliz e realizado. O single “Me Diga” vai muito bem nas rádios. O segundo video-clip “A Fila”, recebe o clip de ouro da MTV na categoria MPB. Sou premiado, de novo, como melhor compositor pela APCA pelo meu disco solo. No dia 13 de maio de 95, dia da libertação dos escravos, nasce Sebastião, o filho de número 3.



Os Titãs estão aflitos para entrar em estúdio. Um pouco atrasado, chego para os ensaios ainda com a cabeça em outro lugar. O reencontro é estranho: normal, amigos também são desconfiados. Numa transição para o universo pop, lançamos o bom disco “Domingo”.
Novos parceiros abrem novos horizontes: com Samuel Rosa inicio uma importante série de composições (”É uma partida de futebol”, no CD “Samba Poconé”; “Resposta” no CD “Siderado” – também gravada por Milton Nascimento em “Crooner” – e “Ali” no “Maquinarama”), e com Roberto Frejat uma grande amizade junto com um aprendizado. Gosto de conhecer outros métodos de criação. Todos temos que resolver, basicamente, o mesmo problema: como não ser redundante.
Somos convidados a gravar o Acústico MTV. Mexer em repertório clássico era uma questão delicada e arrojada. Como soar diferente sem contradizer as versões originais? Os Titãs acústicos? Parecia uma idéia estapafúrdia. Convidamos Liminha para trabalhar com a gente para mexermos num tesouro que havíamos enterrado juntos. Especialmente para
esse projeto faço “Os cegos do castelo”. Incluímos 4 músicas inéditas, o que na época não era usual. O sucesso foi estrondoso. Vendemos como nunca. Fomos comprados por quase dois milhões.
Depois de uma turnê monumental, subindo ao palco pela primeira vez acompanhados por músicos de orquestra, resolvemos complementar com o que havíamos deixado de fora. O público pedia outras músicas em versões acústicas e resolvemos agregá-las ao nosso próximo trabalho. Misturando inéditas e regravações, lançamos um novo cd com o irônico título de “Volume Dois”. Canto a minha “Sua impossível chance” e o Paulo “Eu e Ela”.
Sou convidado por Cássia Eller para produzir seu novo disco. Empenhado em traduzir a sua multiplicidade musical e assim contrariar um estigma, fui ouví-la para saber qual repertório ela iria querer cantar. Assim nasceu “Com você… o meu mundo ficaria completo”, um disco onde Cássia cantou poderosamente, só que de modo mais suave, uma dúzia de inéditas. Seu disco foi indicado para o Grammy Latino 2000 na categoria de melhor álbum de rock brasileiro e sua interpretação de “O Segundo Sol” levou a composição a ser indicada na categoria de “Melhor música em língua portuguesa” para o mesmo Grammy. Além dessa canção, contribuí com mais 3 outras: “As coisas tão mais lindas”, “Infernal” e “O meu mundo ficaria completo (Com você)”.



Para surpresa pessoal, a Vânia fica grávida de novo. Em 27 de setembro de 99, dia de Cosme e Damião, nasce Zoe, a minha filha ruiva.
Emendando mais uma vez turnê e gravação, sem querer enfrentar o desgastante processo de seleção de repertório, resolvemos gravar um disco de covers só para tocar e curtir. Nada de inéditas, mas com outro tipo de surpresa: fomos para Seattle e junto com Jack Endino gravamos “As Dez Mais”. Primeira música na rádio: a nossa versão de “Pelados em Santos”, cantada por mim e pelo Branco. Rejeição geral, ninguém entendeu nada, aliás, ninguém tava a fim de gostar de nada!!! Depois de 16 anos de Warner, mudamos de gravadora (agora estamos na Abril Music) e demos uma parada para poder realizar trabalhos individuais. Nesse período lanço “Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro”, disco gravado em Seattle, com a produção de Jack Endino e concluído no Rio de Janeiro com a produção de Tom Capone. Com uma banda fixa américo-brasileira composta por Barrett Martin na bateria e percursão, Alex Veley nos teclados, Fernando Nunes no contra-baixo e Walter Villaça na guitarra, e contando com as participações especiais de Peter Buck (R.E.M.), Cássia Eller e Rogério Flausino (Jota Quest), mostro as 11canções inéditas que havia guardado para mim.
Aproveitando os 9 meses de férias dos Titãs, planejo fazer uma turnê para divulgação do CD “Para quando” e convido Barrett e Alex para passarem três meses no Brasil. Felipe Cambraia no baixo e Carlos Pontual na guitarra completam a banda – nascem Os Infernais. O relativo fracasso da turnê contrasta com o grande barato do show. Resolvo registrar o show “ao vivo”, sem platéia, na Toca do Bandido com a produção de Tom Capone antes da partida dos americanos. Gravamos tudo num fim de semana.
No início do fatídico ano de 2001 toco na Tenda Brasil do Rock in Rio já com a presença de Mauro Manzoli na bateria. Em fevereiro subo para Teresópolis em pleno Carnaval para passar três semanas num sítio ensaiando o repertório do MTV Acústico Cássia Eller. Produzo o disco junto com Luiz Brasil. Gravamos em São Paulo, em Março, em dois dias. Cássia arrasa cantando Edith Piaf, Riachão, Xis e Nação Zumbi. Grava”Luz dos Olhos” e me convida para tocar violão e dividir os vocais em “Relicário”. Regrava “O Segundo Sol” e “E.C.T.”.






Em maio entro em estúdio com Cambraia, Pontual, Manzoli e Maurício Barros para gravar mais três músicas que fechariam o repertório para o próximo disco: versões para as minhas músicas já gravadas por outros artistas.
Os Titãs retomam os ensaios em Abril. Durante dois meses ensaiamos para fazer os arranjos e escolher as músicas para o nosso primeiro disco inteiramente de inéditas desde 97. Convidamos Jack Endino para nos produzir novamente. Segunda-feira, onze de Junho, estou já no Rio de Janeiro para começar a gravação do novo trabalho quando sou surpreendido
com a notícia terrível: Marcelo fora atropelado em São Paulo enquanto corria. O pesadelo se inicia. Ao longo dos próximos dois dias seu estado se agrava e o inimaginável se torna realidade: Marcelo Fromer morre aos 39 anos no dia 13 de junho em São Paulo. Perco um amigo de uma vida inteira. O meu mundo fica mais pobre.
Desnorteados, resolvemos retomar o projeto do disco e após uma semana de recesso entramos no estúdio “A e R” para homenagear nosso amigo gravando o nosso último trabalho conjunto. Com as 16 músicas que havíamos escolhido juntos, “A melhor banda de todos os tempos da última semana” é lançado em Setembro de 2001. Vamos para a estrada novamente.





No dia 29 de Dezembro uma outra notícia devastadora. Cássia Eller morre no Rio de Janeiro. Num momento de ascensão fulminante, em meio a uma turnê de absoluto sucesso, a tragédia outra vez interrompe e rouba o futuro. Cássia está morta: o meu mundo fica mais incompleto.
Após ter adiado o lançamento do meu CD para que não colidisse com o início da excursão dos Titãs, lanço em fevereiro de 2002 “Infernal – but there´s still a full moon shining over Jalalabad”. Último disco pela Warner, nenhuma música inédita. Faria um trabalho de divulgação heterodoxo, apenas shows de lançamento, sem turnê e um único clip como peça promocional – “Eu e ela” dirigido por Mauro Lima. Em Março produzo junto com Liminha a banda mineira “Squadra”, que grava uma parceria minha com Carolina Lima “A jóia rara”.Em Maio, assino com a Universal Music um novo contrato para minha carreira solo.
Desolado pelas perdas recentes, desgastado pela sequência de shows, dividido entre a minha banda e a minha carreira solo, o atrito não pôde mais ser evitado. Discordando sobre o rumo dos nossos futuros planos, deixo a banda no dia 7 de Setembro. Termino uma história de vinte anos para começar outra etapa da minha vida.
Em Outubro entro em estúdio em companhia de Lan Lan, Fernando Nunes e Walter Villaça para dar início às gravações de um disco póstumo em homenagem aos 40 anos de Cássia. Num trabalho intenso em emoção e admiração produzo “Dez de Dezembro”.
Em Janeiro de 2003 começo os ensaios para o meu novo disco. Reúno novamente Barrett Martin, Alex Veley, Felipe Cambraia e Carlos Pontual no Rio de Janeiro e gravamos “A letra A” com produção de Carlo Bartolini. Eu me sinto mais feliz! Termino as gravações das bases no estúdio “Fast Horse” em Taos, Novo México, EUA. Lá componho “Do seu lado” que entrego para o Jota Quest. Lanço o disco em Cd e LP duplo. Meu primeiro trabalho para a Universal. Escolhemos música a “Dentro do mesmo time” como single. Toni Vanzolini e Carol Jabor dirigem o clipe. Saímos em turnê para a divulgação do disco. Na banda, um novo membro: João Viana ocupa o posto de baterista. Com cenário de Rodrigo Andrade – uma lona pintada com a paisagem da foto da capa do disco – estreamos em Mococa com a abertura da banda Zafenate, de meu filho Theodoro. Me apresento no VMB cantando “Tão Diferente”. Apesar de várias indicações, ganhamos apenas o prêmio de melhor web site, pela genial concepção gráfica de Rodrigo Andrade em parceria com 14 bits. Em setembro, nova ruptura na minha vida pessoal. Me separo de Vânia para ficar com Anna. Gravo “Sangue Latino” para um tributo aos Secos e Molhados. Com direção de Vitor Amat, Cássio Amarante e Oswaldo Santana gravamos o clipe de “Luz dos Olhos” usando a música como trilha sonora de um casamento, algo como um reality-clip.











































Maio de 2004. Em sociedade com Sérgio Peixoto abro a Infernal Produções, escritório próprio para cuidar da minha carreira e dar suporte para toda a minha atividade profissional. Somos convidados pela MTV para gravar o projeto “Ao vivo”. Diante da dificuldade de encontrar um local adequado em São Paulo escolhemos Porto Alegre para fazer o show. Com o apoio da Universal, da Caco de Telha, da MTV e da Infernal Produções, gravamos em junho de 2004 o show que deu origem ao Cd e DVD “Nando Reis e os Infernais: MTV ao vivo”. Para esse show – que seria o último com a participação de João Viana -, reestruturamos o repertório para podermos extrair um disco que desse uma panorâmica na minha carreira. Compus três músicas: “Mantra”, uma antiga melodia minha que ganhou letra de Arnaldo Antunes, feita especialmente para ser cantada com os devotos Hare Krishna do Templo de Teresópolis; “Por onde andei” e “Quase que dezoito” (que contou com a participação de Diogo Gameiro, futuro baterista dos Infernais). Incluí ainda no disco “Pomar”, minha e de Paulo Monteiro, música composta para o II Festival secundarista de Música do Colégio Santa Cruz em 1979. Convido a banda gaúcha Ultramen para tocar a música comigo.
Com a direção de Joana Mazucchelli o programa estréia na MTV em agosto de 2004. A música “Mantra” é escolhida como single e entra na trilha da novela das 7 “Começar de novo” da Rede Globo. O Desempenho do disco é surpreendente e em pouco mais de um ano atinge as marcas de Cd e DVD de ouro. Ganho o prêmio APCA de melhor compositor pela terceira vez.
Em Setembro de 2004 nova tragédia. Tom Capone sofre um acidente fatal de motocicleta em Los Angeles. Os anjos levaram mais cedo o amigo que havia me ajudado a conceber meu som infernal. Sou convidado pelo jornal O Estado de São Paulo a escrever para a coluna Boleiros, no Caderno de Esportes. Morre Mauro Manzoli, querido amigo e segundo baterista dos Infernais. Em Abril de 2005 um colapso emocional indica que devo mudar os rumos e a conduta de minha vida: depois de anos de uso abusivo de álcool e drogas, com a ajuda de médicos, familiares e amigos, decido interromper essa rota auto-destrutiva. Trabalho árduo, dificílimo, mas fundamental. Meu novo comportamento na vida e em palco proporciona um período de contenção e reorganização. Abro meus olhos, limpo meus poros e sigo a minha vida com muito mais água. Sou convidado para tocar “Por onde andei” na comemoração de 10 anos de VMB. O clipe de “O mundo é bão, Sebastião!” dirigido por Doca Corbett. Concorre em várias categorias, mas não ganha nenhuma.










































Me separo da Anna em Novembro. Fim de ano acidentado, rompo os ligamentos do tornozelo jogando futebol. Em Janeiro e no Rio de Janeiro, como de costume, me reúno com os Infernais e Chico Neves para a gravação do que veio a ser o meu sexto disco solo: “Sim e Não”. Para um sujeito tão antagônico, melhor nome não haveria.
Durante as sóbrias gravações de “Sim e Não” um inesperado sim revoluciona minha vida; um antigo amor platônico se afirma na mais concreta realidade – Nani, musa inspiradora de inúmeras canções – fica grávida e começa tecer a vida do futuro Ismael, que vem à luz no dia 24 de Outubro de 2006. “Sou dela” é escolhida como single e tem seu clipe dirigido por Gustavo Leme. Com cenário de Carlito Carvalhosa e luz de Rafael Auricchio saímos em turnê num ano complicado, com Copa do Mundo e eleições presidenciais.



No final desse ano recebo convite da MTV para gravar o que seria o primeiro DVD do tradicional programa da grade de verão da emissora, o Luau MTV. O projeto vai crescendo e se desdobra em CD. Reatado com Anna, montamos juntos esse grande programa que receberia 4 convidados: Samuel Rosa, Andreas Kisser, Negra Li e Andrea Martins. Convido Pontual para produzir o disco comigo. Depois de uma semana de ensaios no terraço de minha casa na praia do Lázaro, gravamos na praia Vermelha do Norte, Ubatuba, num dia chuvoso e branco de Janeiro de 2007. Com direção de Romi Atarachi lançamos o DVD e o Cd- Nando Reis e os Infernais, Luau MTV , que tem apenas a inédita “Tentei fugir”. Tendo Lan Lan e as backings vocais Micheline Cardoso e Juju Gomes junto a banda, montamos o show em duas partes: a primeira rigorosamente como o Luau, e a segunda, elétrica. Caímos na estrada numa turnê que se estenderia até 2009.




Surpreendentemente, três músicas minhas emplacam em três novelas das 8 da Globo seguidas: “Espatódea” que fiz para minha filha Zoe entra em “Paraíso Tropical”; “Sou dela” é resgatada para “A Favorita”; e gravo especialmente para “Caminho das Índias” uma versão de “Eu nasci há dez mil anos atrás” de Raul Seixas e Paulo Coelho.
Tenho a honra de fazer duas letras para o disco novo do Tremendão – me torno parceiro do meu ídolo, Erasmo Carlos.





































Novamente sozinho, em Junho de 2008, conheço Dri, e para ela escrevo um lote de 14 músicas que batizo secretamente de Drês. É o começo do novo disco, que gravo em Janeiro de 2009 com os Infernais no estúdio Cia dos Técnicos (onde gravei o “12 de Janeiro”), novamente com a parceria de Pontual na produção. Com a participação de Ana Cañas cantando “Pra você guardei o amor”, lanço “Drês” em Maio de 2009 – 12 músicas inéditas, todas de minha autoria. A capa ficou a cargo de Sesper, que também fez o vídeo para “Hi, Dri!”. “Ainda não passou” é escolhida para o single; Bruno Murtinho dirige o clipe.

Galeria de Vídeos de Nando Reis:
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Vídeos: Youtube
Fonte: Site do cantor http://www.lastfm.pt/music/Nando+Reis/+wiki
Fotos: Site do cantor http://www.lastfm.pt/music/Nando+Reis/+wiki

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