Fim de Semana Literário: Chá das 5 Dominical Claudio Domingos Fernandes



Fim de Semana Literário Sábado

Chá das 5: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado 10 da Manhã
Poesia de Beto Ribeiro 15 horas
Poesia de David White 19 horas

12 horas e 21 horas espaço dedicado ao leitor envie seu texto para que ele seja publicado.
Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Fim de Semana Literário Domingo

Chá das 5 dominical: 5 e 17 horas
No Café da Manhã com Poesia por Magno Oliveira 7 horas da Manhã
Literatura Nossa homenagem a um grande escritor por Dhyne Paiva ás 10 da manhã
Prosa Literária Magno Oliveira entrevista um convidado especial 19 horas.

12 horas e 21 horas horário reservado para a sua participação envie seu texto para que ele seja publicado.

Nosso contato: folhetimcultural@hotmail.com

Chá das 5 Dominical será uma das nossas atrações no domingo passado tivemos a participação do trovador Ailton Sales, neste temos o professor de filosofia e italiano Claudio Domingos Fernandes.


RAÇA NÃO EXISTE!?

Está rolando no face um texto do Danilo Gentili ao qual faço algumas considerações. 


O termo raça para classificar o gênero humano foi normalmente utilizado nos livros científicos até meado dos anos 70. No entanto os avanços científicos  principalmente com o Projeto Genoma, demonstrou que o conceito raça não se aplica à espécie humana. Assim diz Guido Barbujani: “As raças nós a inventamos e nós as levamos a sério por séculos”. Esta invenção permitiu que povos inteiros fossem escravizados e ou exterminados pela vilania de uns poucos detentores das armas e do saber. Então, enquanto conveio as raças existiram.
Da ideia da raça, então, “resultaram os mais terríveis massacres da história” e “quer sob forma de conceito ideológico gerado na Europa, ou como explicação de emergência para as experiências chocantes e sangrentas, sempre atraiu os piores elementos da civilização ocidental” (Hannah Arendt – Origens do Totalitarismo)
Assim a caracterização de humanos em categorias “brancos” e “negros”, não resulta, como é evidente, de uma desvalia natural ou genética. Mas de uma construção ideológica daqueles que controlavam, e ainda controlam, a informação e a produção do conhecimento. Culturalmente, então, o que é pior, raça existe e delimita, sim, privilégios e regalias para uns e desconsideração e desrespeito para outros. As mesmas condições valem para as categorias homem-mulher em algumas relações econômicas e de participação política.

Oliveira Martins, político e escritor português, com forte influência no Brasil de inicio do século XX, em 1881 afirmava: “Há decerto, e abundam os documentos que nos mostram no negro um tipo antropologicamente inferior, não raro próximo do antropoide  e bem pouco digno do nome de homem”. Isso está muito próximo das declarações de Marco Feliciano, para quem o “negro” e suas manifestações culturais são amaldiçoadas. E estamos no século XXI, quando afirmamos ter superado o conceito de “raça”.

O texto do Gentili é bacana, ele combate o politicamente correto, mas também evidencia algo que Florestan Fernandes já denunciava: temos dois níveis diferentes de percepção da realidade e de ação ligados com a “cor” e a “raça”: primeiro, o nível manifesto, em que a igualdade racial e a democracia racial se presumem e proclamam; segundo, o nível disfarçado, em que funções colaterais agem através, abaixo e além da estratificação social. No entanto, o aspecto da situação racial no Brasil, que mais impressiona, aparece sob a negação incisiva de qualquer problema “racial” ou de “cor”. 

Eu não acho graça nenhuma em chamar gordo de baleia, nem mesmo de obeso, homossexual de veado, loira de burra etc. Já fui muitas vezes chamado de macaco, de tiziu, de negro fedido, algumas vezes me senti ofendido, outras não dei bola alguma. Já fui muitas vezes “sarreado” por trocar o ‘r’ pelo ‘l’, eu ficava dias sem falar. Hoje, dou risada de quem ri, como deu vontade de rir do policial que me parou e deu-me geral, enquanto meus amigos brancos olhavam. Quando nos encontramos damos muita risada disto. Mas não ignoramos que a atitude do policial foi preconceituosa. Somos seres lúdicos e seres bélicos, e sabemos quando alguém esta brincando e quando está ofendendo. Então não é o dizer as coisas, mas o como as coisas são ditas que ofende. O humor só é humor se congrega, se diverte e cria harmonia entre os participantes, caso contrario é sarcasmo. E o sarcasmo é uma forma sutil de humilhar o outro. E quando eu tenho que explicar minha piada, eu já deixei de ser engraçado. 

Claudio Domingos Fernandes

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