Crônica Pão, circo e futebol

PÃO, CIRCO E FUTEBOL

Magno Oliveira

A juíza da 13º Vara de Fazenda da capital, Adriana Costa dos Santos atendeu a um pedido do Ministério Público Estadual. O pedido era para que o jogo entre Brasil e Inglaterra fosse suspenso. Na suspensão, a juíza citou a falta de vários laudos inclusive o de engenharia, combate a incêndio e da Vigilância Sanitária.
A Polícia Militar não quis comentar o caso passou a bola para o governo carioca, que por sua vez conseguiu cassar a liminar que suspendia o amistoso entre as duas seleções.

Na decisão que deferiu a liminar, a juíza citou que o único laudo apresentado era o da PM, que indicava um estádio em construção. Problemas com entulhos no entorno, pisos soltos e fragilidade na prevenção a invasão no campo foram apontados pela PM.

Todos os pontos citados acima deveriam ter sido sanados até o sábado (1). O amistoso ocorreu normalmente no domingo (2) e estes problemas não tinham sido resolvidos. O documento foi feito no dia 27 de maio e encaminhado ao MP – RJ no dia 29 quando a ação foi impetrada.

A responsabilidade pelos ajustes era da prefeitura, o secretário municipal de grandes eventos disse que faltavam apenas “ajustes finos” para concluir o entorno do estádio A partida entre as duas seleções ocorreu mesmo sem o laudo do corpo de bombeiros que é essencial a qualquer evento, o próprio estado é o primeiro a vetar eventos que não tenham esse laudo. O jogo ocorreu mesmo sem o laudo da Vigilância Sanitária que também é importante, afinal deveria haver uma garantia de que a comida e a bebida comercializada no local seguiam os padrões e normas estabelecidos.

Este fato foi causado segundo o governo por uma falha burocrática, vale salientar que qualquer empresa privada que faz evento sabe que tem que estar com estes laudos pelo menos uma semana antes da data.

Após a decisão da juíza em suspender o jogo a Procuradoria Geral do estado se apressou e apresentou ao Tribunal de Justiça o laudo definitivo da PM que garante as condições de segurança para o amistoso.

Agora veja só que ironia o Governo prejudicado pela burocracia de longe vendo apenas a velocidade a qual foi resolvido este impasse podemos nos enganar achando que isso acontece em todos os campos.

O Brasil que no passado era chamado de o país do futuro, ainda possui longas filas nos hospitais públicos e isso se estende aos particulares, nas grandes cidades e capitais as mães sofrem para conseguir vagas em creches, o mensalão se arrastou por anos, questões relevantes para a sociedade como a diminuição da maioridade penal parecem que não terão uma definição breve, problemas com segurança e transporte público nem de longe dão sinal de solução.

E o que tudo isso tem haver? É que infelizmente a agilidade a qual conseguiram resolver o impasse sobre o desfecho da realização desta partida não se reflete no dia a dia do povo brasileiro, para provar isso tente fazer algum tipo de reclamação numa prestadora de serviço ou com algum político de sua cidade. Sim, a realização do jogo foi para o bem do povão que comprou os ingressos e da nação que assistiu pela TV.

Este texto se trata de um episódio ocorrido em 2013, antes da Copa das Confederações, pois bem a Copa do Mundo já passou, e ele permanece atual e provavelmente você achou que fosse sobre um momento presente, pois será que algo mudou de lá para cá?

Posso afirmar que sim a Copa foi importante para o atual governo, e o apoio de esportistas pró o candidato de oposição nesta eleição demonstra que os políticos já perceberam que para serem eleitos será necessário mais que pão e circo, será necessário pão, circo e futebol.

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