Sentires Poéticos por Ianê Mello: Ruídos na Madrugada


Sempre encontrei verdadeiro fascínio na poesia, sendo por ela constantemente atraída,
por sua forma subjetiva e rica de expor sentimentos e idéias com profundo lirismo.
Quando comecei a escrever algumas linhas, na minha adolescência, foi através da forma 
poética que encontrei expressão. Os versos fluíam tão naturalmente e com tamanha
facilidade que não pensava nas palavras, elas vinham e se apossavam de mim (risos). 
Me sentia um mero instrumento daquele "algo" que de mim se apoderava, a inspiração.
Com o passar do tempo fui encontrando novas formas de expressão, como o conto e a
crônica, encontrando prazer e desenvolvendo uma fluência na escrita desses gêneros,
         mas a poesia continua sendo a minha paixão e a minha catarse.




Biografia



         Nascida no Rio de Janeiro (RJ).


É educadora e pós-graduada em Pedagogia
Identificada com as diversas propostas em textos literários, escreve também com 
resultados diversificados.



Seus textos incluem contos, crônicas, aforismos, haicais e poesias.



Alguns deles são publicados na internet, em sites, blogs e revistas eletrônicas.



Escreveu um livro de contos "Rocktales - Contos do Rock"" com o escritor Beto Palaio, a ser publicado em breve.

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Por Ianê Mello

RUÍDOS NA MADRUGADA



Já havia perdido a conta do número de vezes que rolara na cama, de lá para cá, de cá para lá, como um pedaço que carne a rolar na farinha de rosca, antes de ser frito. Que agonia! A madrugada avançava lenta, minuto a minuto nos ponteiros do relógio que em sua cabeça se fazia ouvir: tic-tac, tic-tac, tic-tac ... O barulho persistente e contínuo e enlouquecia. Nem queria olhar as horas para não desesperar ainda mais. Aquele relógio perturbador contava sua insônia em seus ponteiros implacáveis, fazendo-a lembrar-se que ainda estava acordada. Para piorar a situação um maldito pernilongo cismara de compor uma sinfonia em seu ouvido: zzzzzzz... ou qualquer coisa parecida. Só fazia ela lembrar outro desagradável barulho que ouvia quando se sentava na cadeira do dentista, prenúncio de dor iminente: ZZZZZZZZZZZZ... fazia o motor do aparelho usado para obturações. E lá vinha ele com tudo em seu dente já dolorido causando aquela dor fina que se reza para acabar logo e nos deixar em paz. "Sai, pernilongo maldito, vou acender a luz e te caçar até estalá-lo contra a parede deixando aquela mancha de sangue, todo o sangue que você chupou durante essa noite. Deixem-me deixem em paz, quero dormir. Parem todos os barulhos, estou enlouquecendo!"
Lá fora algo como um gato mia, deve estar no cio ou talvez seja a vizinha gemendo numa noite quente de amor com seu marido ou a solteirona com seu amante ou qualquer outra mulher em gozos de prazer. E ela aqui, na mão, isso não é justo. Se ao menos ela pudesse gozar bem alto e abafar  todos esses barulhos em sua cabeça: relógio, mosquito, vizinha... "querem me tirar do sério." Ouve o barulho da moto na rua. Um pássaro da noite ensaia o canto, talvez em seu ninho. "Ora, se isso é hora de ensaiar! "Vai dormir, passarinho. Até você de que tanto gosto nesse complô contra mim?" Ela ouve algo feito um uivo. Será um lobo? Lobo aqui, na cidade. "Estou mesmo enlouquecendo." Apura melhor os ouvidos, parece ser alguém doente gemendo. Agora parecia que todos os barulhos estavam dentro de seu quarto, ou melhor, dentro da sua cabeça. Relógio, mosquito, vizinha, gato, moto, passarinho, lobo, doente...
- Parem com esse barulho ensurdecedor! - ela grita furiosa.
Tão alto é o seu grito que várias luzes se acendem e as cabecinhas da vizinhança se faz perceber nas janelas abertas espiando para ver o que acontece no meio da madrugada. Que grito horroroso havia sido aquele! Ela sorri. Conseguiu acordar boa parte dos vizinhos que dormia tranquilamente em suas casas. Agora, ela já pode dormir em paz. Ajeita um travesseiro embaixo de sua cabeça e o outro em cima. Se aconchega bem gostoso nas cobertas e adormece, finalmente, como um anjo.



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