Beijódromo de Darcy Ribeiro será inaugurado nesta segunda-feira


Cerimônia contará com presença do presidente Lula e do presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, além dos ministros da cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Uruguai, Ricardo Ehrlich
Brasília, 3 de dezembro de 2010 – O ministro da Cultura, Juca Ferreira, inaugura nesta segunda-feira (6), às 15h, na Universidade de Brasília (UnB), o Memorial Darcy Ribeiro. A construção é resultado de um convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), com o investimento de R$ 8,5 milhões.
Também estarão presentes o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, o ministro de Educação e Cultura do Uruguai, Ricardo Ehrlich, e o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad.
“Era impressionante a força e fé de Darcy de que a singularidade da cultura brasileira alçaria o país a uma posição invejável no cenário mundial. Vemos hoje que ele estava correto, pois daqui a pouco tempo seremos a quinta economia mundial”, lembra o ministro Juca Ferreira. “O Memorial é um presente para essa cidade que completou 50 anos e se tornou definitivamente a capital dos brasileiros e a UnB, universidade sonhada por ele e que ajudou a fundar”, acrescentou.
O espaço foi projetado pelo arquiteto e parceiro de Darcy em diversos projetos, João Filgueiras Lima, o Lelé. Os que passam em frente enxergam um misto de nave espacial e oca indígena. Ao entrar, encontram biblioteca, espelho d’água, salas de aula e climatizador natural. Há também um espaço para descanso e apresentações, que, já na concepção do local, o próprio antropólogo batizou de Beijódromo. Tudo isso distribuído em dois andares, numa área total de 2 mil m².
A biblioteca tem em seu acervo mais de 30 mil exemplares do professor e educador e de sua primeira esposa, a antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, além de disponibilizar documentos pessoais, como cartas trocadas com Oscar Niemeyer e o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Haverá também exposição de obras de arte brasileiras, que vão desde quadros de Portinari a artefatos indígenas.
Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro nasceu 26 de outubro em 1922, em Montes Claros (MG). Começou sua vida profissional como antropólogo, passando à área educacional, na qual alcançou ao cargo de ministro da Educação, em 1962, e, no ano seguinte, ministro-chefe da Casa Civil, ambos no governo João Goulart.
Em 1964, foi forçado pelos militares a sair do país. No exílio, engajou-se acadêmica e politicamente pelos países latinos por onde passou: Uruguai, Chile, Peru, Costa Rica, México e Venezuela.
No Uruguai, onde permaneceu por mais tempo, foi convidado, assim que chegou, a ser professor da Universidade da República. Lá também conseguiu um passaporte que permitiu viagens à Europa e a Cuba, onde encontrou, entre outros, Che Guevara e Fidel Castro. Ainda no Uruguai, escreveu a Enciclopédia da cultura uruguaia e a primeira versão de O povo brasileiro. Este foi o período considerado por Darcy como o mais fecundo de sua vida.
De volta ao Brasil, Darcy foi vice-governador do Rio de Janeiro, em 1982, secretário de Cultura, coordenador do Programa Especial de Educação e senador da República, de 1991 até sua morte, em 1997. Também concretizou projetos na área ambiental, e, por sua intensa produção de livros, passou a ocupar, em 1993, a cadeira de número 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nos últimos anos de vida, revelou-se um poeta.
Planejou os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), centros culturais e, em oito países, criou ou recriou universidades, além de deixar inúmeras obras traduzidas para diversos idiomas. Entre as instituições criadas por Darcy estão o Museu do Índio, no Rio de Janeiro, e a Universidade de Brasília. Entre as obras que idealizou estão a Biblioteca Pública Estadual do Rio, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo, que inicialmente também funcionava como uma grande escola primária, com 200 salas de aula, além do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto de Oscar Niemeyer. Darcy contribuiu ainda para o tombamento de 96 quilômetros de belíssimas praias e encostas do litoral fluminense, além de mais de mil casas do Rio Antigo.
Darcy Ribeiro é um dos cientistas sociais brasileiros de maior renome no mundo, por sua grande contribuição à defesa da causa étnica. Consagrou-se como alguém que propunha uma reflexão do Brasil a partir da amplidão de sua cultura, e já enxergava que as expressões populares seriam capazes de auxiliar uma “leitura” mais completa do país.

Fonte: http://www.blogdojucaferreira.com.br
Postagem: Magno Oliveira

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