Censurado durante a ditadura, livro “Aracelli, meu amor”, de José Louzeiro, é relançado pela Editora Prumo

 
 
A obra é fruto da investigação do autor sobre um crime que chocou o Brasil em 1973. A história de Aracelli, uma menina de oito anos cruelmente assassinada, virou obra de sucesso nos anos 1980
 
Crime tão chocante que até hoje é lembrado, o brutal assassinato da menina Aracelli Cabrera Sanches Crespo, de 8 anos, cometido em 1973, ganhou forma literária no livro Aracelli, meu Amor, sucesso de público nos anos 1980. De autoria do escritor e jornalista José Louzeiro, a obra, que foi censurada durante a ditadura militar a pedido dos advogados dos acusados, será relançada pela Editora Prumo.
 
 
Investigada pelo próprio autor na época, a história do crime de que foi vítima Aracelli, filha de Gabriel Crespo e da boliviana Lola Sanchez, é registrada no livro com os nomes reais das pessoas envolvidas no caso. De cunho jornalístico-investigativo, o relato segue o mesmo gênero das reportagens produzidas por Louzeiro nos anos 1960, 1970 e 1980. Em seus mais de 50 livros publicados, todos inspirados em fatos policiais, o escritor faz a denúncia dos interesses que interferem na apuração e punição dos crimes, quando seus autores mantêm ligações com o poder político ou econômico.
 
 
A menina alegre, de olhar doce, morava em uma casinha do bairro de Fátima, na cidade de Serra, a poucos minutos da capital capixaba. Estudava no colégio São Pedro e, numa sexta-feira, 18 de maio de 1973, não chegou em casa no horário habitual. Com o passar das horas, a preocupação foi aumentando. Pensando em se tratar de um sequestro, o pai de Aracelli distribuiu fotografias da filha aos jornais.
 
 
O corpo da menina foi encontrado seis dias depois nos fundos do Hospital Infantil de Vitória. Uma das hipóteses era de que Aracelli teria sido mandada pela mãe, que era um contato da rede de narcotráfico Bolívia-Brasil, para entregar um envelope aos supostos criminosos. Chegando lá, os acusados a teriam drogado, estuprado e assassinado, em um apartamento no centro de Vitória.
 
Segundo Louzeiro, o caso gerou a morte de possíveis testemunhas até pessoas determinadas em desvendar o crime. Ele próprio, enquanto investigava o assassinato em Vitória para produzir seu livro, foi ameaçado de morte. “O caso foi pesquisado durante anos”, relata Louzeiro. “Idas e vindas a Vitória foram, no mínimo, quatro vezes. As visitas à cidade eram secretas, pois, a essa altura, eu já estava marcado para morrer pelos amiguinhos dos assassinos e isso só não aconteceu graças à cobertura que tivemos do perito criminal Asdrúbal de Lima Cabral, mais conhecido como Dudu. Sem a colaboração dele (arriscando a vida) seria impossível recolher o material que recolhi.”
 
Ele ainda afirma que a mãe da menina realmente tinha envolvimento com o tráfico de drogas e o envelope entregue à filha para levar ao “tio” estava recheado de cocaína. Antes das investigações serem encerradas, a mãe desapareceu misteriosamente.
 
Aracelli foi sepultada, três anos depois, no Cemitério Municipal da cidade de Serra.
 
Ficha técnica
 
Livro: Aracelli, meu amor
Editora Prumo
Autor: José Louzeiro
Selo: leia
ISBN: 978-85-7927-237-0
Formato: 14 x 21 cm
Nº de páginas: 232
Preço: R$ 29,90
 
 Fonte A4 Comunicação
 
Postagem Magno Oliveira editor Folhetim Cultural
 
 

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