Flip 2015 anuncia Mário de Andrade como homenageado

Um autor para o século 21
Nos 70 anos de sua morte, Mário de Andrade é escolhido como homenageado da Flip 2015


Crédito: Odilon Morais para o livro Será o Benedito! (Cosac Naify, 2008). Odilon, junto de Luciana Sandroni, autora da biografia "O Mário que não é de Andrade" (Companhia das Letrinhas), são convidados da Flipinha, que acontece durante a Flip.


A obra e a vida de Mário de Andrade ajudaram a moldar a cultura brasileira – entre os frutos indiretos de sua atuação estão, por exemplo, a preservação da cidade de Paraty e a própria Flip, que guarda muito de seu espírito irrequieto, festeiro e articulador. Nada mais justo que, em sua 13ª edição, a Festa Literária Internacional de Paraty homenageie o autor paulista, morto prematuramente em fevereiro de 1945, cuja vida e obra ainda iluminam o Brasil do século 21. A Flip acontecerá entre 1 e 5 de julho.

Poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural – Mário foi, como diz seu celebrado poema, “trezentos, trezentos e cinquenta”. Se muito de seu legado hoje está assimilado – antropofagicamente, para usar a expressão de seu companheiro (e mais tarde desafeto) de geração Oswald de Andrade --, Mário trouxe questões centrais para novos debates sobre o país, a vida cultural e a literatura. Cultura popular e indústria cultural, patrimônio material e imaterial, fala brasileira e língua escrita, cultura indígena, literatura, identidade e gênero, a sua vida e obra parecem ter antecipado discussões atuais, que a Flip pretende pautar e atualizar em sua edição 2015.

A atuação de Mário nas questões ligadas a patrimônio – material, mas sobretudo imaterial – inspiraram a exposição Histórias e Ofícios do Território. Inaugurada em dezembro, com uma pequena jornada de debates entre paratienses e convidados de fora da cidade, a mostra está em cartaz no Espaço Experimental de Cultura – Cinema da Praça, em Paraty, até 8 de março. A exposição audiovisual, produzida pelo Museu do Território (que, assim como a Flip, é uma iniciativa da Casa Azul), focaliza, a partir de depoimentos da velha guarda da cidade, a vida em Paraty antes da construção da Rio-Santos, rompendo um isolamento de décadas.

“O trabalho que estamos realizando no Museu do Território, mas também na Flip, deve muito a Mário de Andrade”, assinala o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz. “Sua obra reverbera de maneira ainda mais intensa numa cidade como Paraty, que ainda vive em seu dia a dia os dilemas culturais da modernização.” Munhoz acrescenta que o espírito aberto, multidisciplinar, de interação entre as artes, é uma lição fundamental da Semana de 22. 

Segundo o curador da Flip 2015, Paulo Werneck, “Mário é um autor para o Brasil do século 21, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate.” A homenagem prevê, entre outras ações, uma conferência de abertura, mesas sobre o autor na programação principal e na FlipMais (programação da Casa da Cultura) e uma exposição. O curador também pretende levar novas gerações de intérpretes de sua obra literária e poética.

A editora Nova Fronteira, que publica a obra de Mário de Andrade, anunciará o lançamento de novos volumes, preparados pela equipe do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). Entre essas edições, destaca-se a obra inédita Café, na qual Mário trabalhou durante anos, e cuja concepção inicial, conforme descreveu em carta de 1929 a Manuel Bandeira, era a de um “romance de oitocentas páginas cheias de psicologia e intensa vida”. Perto do final da vida do escritor, o projeto havia sido convertido numa ópera coral.



Mário de Andrade em cinco datas

1922. Participa da Semana de Arte Moderna e colabora com a revista literária Klaxon
1927. Realiza a sua primeira "viagem etnográfica": percorrendo o Amazonas e o Peru
1935. Chefe da Divisão de Expansão Cultural e Diretor do Departamento de Cultura de São Paulo (SP)
1939. Projeta a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN)
1945. Morre em São Paulo

Cinco obras de Mário de Andrade

1922. Pauliceia desvairada (poesia)
1927. Amar, verbo intransitivo (romance)
1928. Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (romance)
1945. Lira Paulistana (poesia)
1992. Será o Benedito! (obra póstuma)

Flip 2014

A 12ª edição da Flip, que aconteceu entre os dias 30 de julho e 3 de agosto de 2014 homenageou outro autor múltiplo, mas à sua maneira: o carioca Millôr Fernandes (1923-2012).
Durante os cinco dias da festa literária em Paraty, para um público de cerca de 25 mil pessoas, 47 autores, de 16 nacionalidades se apresentaram na programação principal e discutiram temas como a questão indígena, os males da indústria alimentícia, imprensa e poder e os 50 anos do golpe de 1964.
Ao longo de suas doze edições, além de Millôr Fernandes, a Flip homenageou Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos.

Quem faz a Flip

A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público, que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura. Desde as primeiras ações, mantém uma intensa relação com a cidade de Paraty. A Flip e os projetos educativos permanentes – Flipinha, FlipZona e Biblioteca Casa Azul - são algumas de suas experiências que potencializam importantes transformações no território e ajudam a melhorar a qualidade de vida de crianças e jovens paratienses.

Patrocínio

A programação da Flip conta com o patrocínio oficial do Itaú e outros parceiros ainda em vias de confirmação.

Fonte: A4 Comunicação
Postagem: Magno Oliveira

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