LINDA KOHEN – O OLHAR, NA DAN GALERIA











“Um quadro é válido quando sugere uma ideia. Esta ideia se concretiza pela estrutura da obra, pelo desenho, pela combinação de cores ou pelo próprio tema. A abstração está presente, mesmo nos temas mais triviais. […] a pintura é uma metáfora que expressa um momento, um sentimento, o tempo.”


A definição da artista Linda Kohen (1924) advém da união de duas culturas – a italiana e a latino-americana – que marcaram a vida e obra da artista que, em 2014, completa 90 anos. A partir do dia 24 de maio, a exposição O Olhar, na Dan Galeria, trará obras que abrangem mais de 50 anos da produção da artista, que se notabilizou, entre outras razões, pelo tom subjetivista que deu à pintura figurativa. “Há uma simultaneidade de olhares na obra dela. O título da exposição remete a duas situações: o olhar para o objetivo, mas não um olhar naturalista. É um olhar com sentimento”, afirma Peter Cohn, da Dan Galeria.
Nascida em Milão (Itália), filha de uma família judia, Linda emigrou com os pais após a lei racial do fascismo de Mussolini para a Argentina, em 1939.
Da arte do “Velho Mundo”, trouxe a volumetria construtiva e os arranjos perspectivos dos espaços, influências do Renascimento italiano-toscano, de artistas como Masaccio e Piero della Francesca.
Do “Novo Mundo”, onde aperfeiçoou sua técnica, trouxe a abstração e o aspecto surrealista para a tradição classicista renascentista de construção de cenários imóveis e encantados. Nisso, sua obra se encontra com o início da tradição do realismo mágico latino-americano, que, na literatura, teve em Gabriel García Marquez, falecido recentemente, seu principal expoente.
Com forte traço autobiográfico e intimista, na concepção das personagens femininas e na criação dos espaços cotidianos, a técnica e a criação da artista tiveram como influência fundamental o aprendizado no Ateliê Torres-García, em Montevidéu. Criado pelo artista Torres-García após uma temporada em países como Itália, França e Espanha, o ateliê tinha o objetivo de trabalhar a criação artística de maneira transcendental e atemporal, para além dos modismos e das escolas que marcam determinado período. Do período no Ateliê, no qual conviveu com artistas como Julio Alpuy, a artista desenvolve os valores plásticos, o conceito fundamental de que a pintura não é uma cópia da realidade senão uma criação e de que a abstração também é criada a partir de uma estrutura.
O outro aspecto é a subjetividade, uma vez que, para Torres-García, a criação deveria estar em consonância com o sentimento cotidiano e o momento da vida com o artista. O caráter intimista e pessoal marcará a obra da artista sobretudo a partir de 1974, sem deixar de lado seu caráter universal e absoluto. “Há uma riqueza interior e socialmente crítica que transparecem na obra dela de uma maneira muito intensa: na solidão, na intimidade da pessoa consigo mesma. A obra de Linda Kohen traz uma série de ingredientes que poucas vezes se vê na pintura figurativa e que podemos ver na forma com que os objetos são expressos em sua obra. O entorno mais amplo (o social) e subjetivo tornam a obra dela mais universal que o seu silêncio sugere”, afirma Cohn.
Linda Kohen – O Olhar, na Dan Galeria
Coquetel de abertura: sábado, dia 24 de maio, das 10h às 14h
Visitação: De 24 de março a 24 de junho 

De segunda a sexta das 10h às 18h, sábado das 10h às 13h

Rua Estados Unidos, 1638

Telefone: (11) 3083-4600

Não há estacionamento no local e a entrada é gratuita.

Fonte e foto: A4 Comunicação
Postagem: Magno Oliveira

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