Ao fantasma de Charlie Sheen/Harper


Vamos falar o que é: os diálogos de Two And a Half Men garantem a sobrevida da série, mesmo sem aquele em torno de quem a trama foi criada, mas isso é diagnóstico para o primeiro episódio do título sem Charlie Sheen, exibido ontem, nos Estados Unidos.
Como episódio inaugural para a troca de Sheen pelo guapo Ashton Kutcher, o texto tinha a função de explicar o que houve com Sheen/Harper: explodiu como um balão de carne ao cair da plataforma do metrô em Paris, diz a apaixonada vizinha, durante um funeral sem corpo presente e repleto de “viúvas” sem piedade, que ali expõem as heranças venéreas que lhes foram legadas pelo morto. As cinzas chegam às mãos de Alan/Jon Cryer na casa de Malibu, que será posta à venda pela mãe.
Claques de risos e gritinhos femininos dão cabo da euforia causada pela primeira cena de Ashton Kutcher, quando Alan, com o pote de cinzas do irmão em mãos, pronto para atirá-las ao vento, assusta-se com a presença daquele homem todo à porta de casa e, bingo, as cinzas voam pela sala. O destino de Charlie Sheen não poderia ser mais humilhante do que um aspirador de pó (alguma analogia ao uso de drogas, da cocaína ao crack, que levou o ator à sua demissão?)
O primeiro episódio faz Kutcher desfilar pelado pela casa, e é pelado é que ele abraça um constrangido Alan. É Jon, afinal, quem garante a graça do texto.
Sim, o primeiro episódio sem Sheen é ótimo, mas está completamente apoiado no fantasma de seu personagem, de sua imagem e de toda a batalha travada entre o ator e os criadores da série desde sua demissão, ao fim da temporada passada. O bonitão Kutcher não há de andar pelado por todos os episódios a seguir, e não tem o tempo de comédia de Sheen, é verdade, mas o maior desafio do enredo será superar o fantasma que ficou no aspirador de pó e se reinventar de fato no que ainda está por vir.
Fonte: Estadão Cultura
Postagem: Magno Oliveira

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