Coleções de poesia confirmam nova tendência editorial

PAULO WERNECK
EDITOR DA ILUSTRÍSSIMA


O ano de 2011 confirma o bom momento da poesia brasileira, pelo menos do ponto de vista editorial.


Nanicas, acadêmicas ou robustas, diferentes editoras apostam em coleções de poesia marcadas pela mistura de gerações, pela abordagem não especializada e pelo visual "jovem", de cores vibrantes (sempre há um volume laranja-fosforescente e um verde-limão), na esperança de angariar novos leitores para um gênero de vendagem notoriamente difícil.
É o caso de Francisco Alvim (1938) e Zulmira Ribeiro Tavares (1930), que neste ano foram publicados pela Companhia das Letras na mesma coleção que jovens autores como Fabrício Corsaletti (1978) e Ana Martins Marques (no prelo; 1977).
A editora carioca 7Letras estreou uma série que traz, ao lado de veteranos como Afonso Henriques Neto (1944) e Charles Peixoto (1948), os novatos Lorena Martins (1982) e Victor Heringer (1988).
Os livros vêm com um QR-code, espécie de código de barras que, fotografado por um smartphone, dá acesso ao áudio dos poemas lidos pelos autores.
O editor Jorge Viveiros de Castro, da 7Letras, acredita que a estratégia "amplia o potencial de leitores para os dois lados, quebrando um pouco as fronteiras entre as gerações".
Para a próxima fornada, ele anuncia "Coisas Imediatas", de Heitor Ferraz (1964), e "A Fila sem Fim dos Demônios Descontentes", de Bruna Beber (1984). A 7Letras também coedita a coleção Ás de Colete, com a Cosac Naify.
A coleção Canto do Bem-te-Vi, concebida pela poeta e pesquisadora Lélia Coelho Frota (1938-2010), é outro exemplo da aposta na mistura entre gerações: em 2011, a última leva vai dos poemas inéditos de "A Viagem", de Walmir Ayala (1933-1991), aos mais recentes que Priscila Figueiredo (1973) reuniu na coletânea "Mateus".

PARA INICIANTES

Na Ciranda da Poesia, organizada pelo crítico carioca Italo Moriconi na Editora da Uerj, em livros curtos, de caráter introdutório, críticos apresentam poetas contemporâneos com um ensaio e uma pequena antologia.
Em 2010, a coleção lançou, por exemplo, Claudia Roquette-Pinto (1963) por Paulo Henriques Britto (1951) e Leonardo Fróes (1941) por Angela Melim (1952).
Para dezembro, Moriconi promete uma nova rodada que deve incluir, entre outros, Armando Freitas Filho (1940) apresentado por Renan Neunberger (1986) e Ana Cristina Cesar (1952-1983) por Marcos Siscar (1964).
A iniciativa da Companhia das Letras em voltar a investir em uma coleção de poesia contemporânea mostra que a tendência não é um fenômeno de nicho.
A nova casa de Carlos Drummond de Andrade procura se firmar como a principal editora de porte na área, e não só em português.
Além das coleções já estabelecidas na editora, a Companhia dá início neste mês a uma nova série de títulos dedicados a poetas estrangeiros, que se inicia com "Poemas", da Nobel polonesa Wislawa Szymborska.

Fonte: Folha.com Ilustrada
Postagem: Magno Oliveira

Comentários

  1. MARAVILHA!

    Tudo feito por e para a poesia ainda é pouco.

    Salve!

    Mirze

    ResponderExcluir

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