O triunfo de Fausto


Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo
ENVIADO ESPECIAL / VENEZA
O diretor. Prêmio recoloca Veneza entre os grandes - Andrea Merola/Efe
Andrea Merola/Efe
O diretor. Prêmio recoloca Veneza entre os grandes
O Leão de Ouro a Fausto, do russo Aleksander Sokurov, foi a tacada de mestre que recoloca Veneza na altura dos grandes festivais do mundo. Ao contrário do que vinha acontecendo em anos recentes, o júri presidido por Darren Aronofsky desta vez deixou filmes menores em justo segundo plano e escolheu uma obra sólida, provavelmente destinada a durar na memória dos cinéfilos. "Foi uma escolha unânime entre os sete jurados", disse Aronofsky em entrevista após a premiação. Não há porque duvidar. Preferências subjetivas à parte, essa livre adaptação do clássico de Goethe, em imagens oníricas que retratam um personagem ávido pelo poder, era o que havia de mais consistente na boa safra de Veneza 2011.
Menos fáceis, no entanto, devem ter sido as outras escolhas dos jurados. Afinal, se Fausto era mesmo um dos favoritos, alguns dos outros preferidos da crítica e do público, como Carnage, de Roman Polanski, e The Ides of March, de George Clooney, foram ignorados por completo. Na véspera da premiação, correu o boato de que Clooney estaria voltando para o Lido, sinal de prêmio importante a receber. Mas isso não se concretizou. Correu também que haveria um "veto" americano a Polanski por conta do processo por sedução de menores que ainda pesa contra ele nos EUA. Prudente, Polanski não veio à Itália, gato escaldado pela prisão domiciliar que sofreu na Suíça. Retiro forçado onde, aliás, escreveu o roteiro de Carnage (O Deus da Carnificina), agudo texto de Yasmina Reza sobre a intolerância.
O Leão de Prata, equivalente ao segundo lugar, ficou para o diretor Sangjun Cai por Ren Shan Ren Hai (People Mountain People Sea), uma produção da China e Hong Kong que entrou na última hora a título de "filme-surpresa". A história é a de uma vingança pessoal, com o personagem perseguindo de maneira implacável o assassino do seu irmão. Expõe um retrato não menos áspero da realidade chinesa e, de fato, é muito bem dirigido.
Já o "terceiro lugar", a medalha de bronze, por assim dizer, foi para a cota da casa, o italiano Terraferma, de Emanuele Crialese. Era mesmo o melhor dos três filmes que a Itália colocou no concurso principal e toca numa ferida do país: a imigração dita clandestina e suas repercussões sociais. Em belas imagens, Crialese expressa seu ponto de vista humano e lúcido sobre a questão. É o tema da hora na Itália. 
Retirado: Estadão Cultura
Postagem: Magno Oliveira

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