Dez anos depois, como andam os artistas escalados do Rock in Rio


Fonte: Roberto Nascimento - O Estado de S. Paulo
Postagem: Magno Oliveira

É justo que um megafestival dedique parte de sua programação a heróis consagrados. Não fosse assim, haveria uma onda ininterrupta de pop açucarado garantindo as receitas de SWU, Rock in Rio e Planeta Terra.
Red Hot Chili Peppers: um dos dinossauros escalados - Divulgação
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Red Hot Chili Peppers: um dos dinossauros escalados
Mas para quem gosta de show e não vê graça em Rihanna nem em Katy Perry, as dúvidas que pairam sobre um investimento de R$ 190 (por dia, no caso do Rock in Rio) podem ser: será que Elton John ou Stevie Wonder ainda cantam como antigamente? Será que o Coldplay ficou acomodado? Será que o Metallica, que há tempos não lança um grande disco, ainda tem o peso de antigamente? É lógico que sempre há fãs que comparecem, faça chuva ou sol, haja vexames ou apresentações memoráveis.
Para o ouvinte não obcecado, no entanto, existe a incerteza, que anda de mão em mão com a possibilidade de presenciar a genialidade longeva de um mestre; de ser surpreendido pelo fôlego e pela entrega de uma banda consagrada por discos e anos de turnê; de assistir à maturação de um nome que ainda dá as cartas no Olimpo do pop.
Para quem vai à Cidade do Rock, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, entre os dias 23 de setembro e 2 de outubro, estes dilemas serão encenados com nomes como Stevie Wonder, Metallica, Guns n’ Roses, Coldplay, Shakira, Elton John e Red Hot Chili Peppers. Trata-se de figuras carimbadas, que nada têm a provar, mas se tivessem provavelmente fariam os melhores shows da noite. A seguir, o Estado dá uma geral na situação dos dinossauros escalados para serem as maiores atrações de cada noite.
RED HOT CHILI PEPPERSA banda deve uma boa apresentação no Rock in Rio, depois do show preguiçoso de 2001. Mesmo após a saída do mítico John Frusciante da guitarra, chegou Josh Klinghoffer, que segue a receita do antecessor com esmero, no novíssimo I’m With You, lançado com show nos cinemas de todo o mundo.
COLDPLAYAs palavras ‘cold’ e ‘play’ resumiram a inexpressividade do show do mega grupo de Chris Martin, no Morumbi, em 2010. O que é de se esperar, pois fora a épica Viva la Vida, o som da banda nunca foi de ferver. Deve entreter o Rock in Rio com polidez britânica, sem causar muito furor.
ELTON JOHNA grande fase de Elton foi mesmo nos anos 70, mas a dignidade de seus shows não se perdeu com os anos. Elton canta Tiny Dancer e Your Song sempre como se fosse a primeira vez e não deixa hits de fora. O que fica faltando é ousadia para tocar músicas de ‘álbuns B’ como Peachtree Road, de 2004.
STEVIE WONDERAos 61, ‘Stevie Maravilha’ ainda arrebata multidões. Presenciá-lo ao vivo é como ir a Meca: um ato de peregrinação para os que já bateram pés ou palmas ao som da música negra americana. A apresentação tem momentos mornos, mas a reta final é incendiária.
METALLICAAssim como o Iron Maiden, o Metallica envelheceu sem diminuir a intensidade ao vivo. Há vinte anos que os discos não têm a força arrebatadora de Kill Them All, Master of Puppets e ...and Justice For All, mas, no palco, Kirk Hammet e Lars Ulrich não deixaram de ser chumbo grosso.
GUNS N' ROSESSem nenhum de seus parceiros originais, a banda de Axl Rose é mais um cover do que qualquer outra coisa. Não obstante, deve lotar o festival, mesmo que já tenha vindo em 2010, quando uma garrafa d’água arremessada em Axl foi a estrela do show.


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