Diário de uma adolescente: ~>Bonecos no modo automático.


~>Bonecos no modo automático.

lá estou, visitando as redes sociais da vida (terrível vicio que pretendo livrar-me), vendo fotos de amigos que viajaram no feriado. Em um determinado momento esbarrei no perfil de uma amiga que faz um determinado tempo que não converso e acabei perdendo o contato. Detalhe, ela nem mora assim tão longe. Enfim, resolvi ver suas fotos para ver como anda a vida e tal, e a resposta me veio tão rápida no primeiro álbum que visitei.
O álbum se chamava “Canil”. Pausa dramática. Mais um pouco de dramatismo. Virei para um caro amigo mais tarde e perguntei quem em plena sã consciência coloca o nome do seu álbum de Canil? Ele me responde que é o nome de uma balada numa cidade próxima. Até ai tudo bem, mas nenhuma mulher que se preze coloca o nome de um álbum de fotos de ”Canil”.
Ninguém.

Avaliando o resto das fotos dela, constatei que o termo pelo qual me assustei, era muito fofo e meigo. E vocês leitores inteligentes devem bem supor por que. A cada foto um “ohh” diferente. Em um leque de baladas diferentes e em poses de dança tão estranhas e tão sexualmente explicitas, eu boquiaberta já não era nada. E pior, a cada visualização ia reconhecendo junto com ela amigas que cresceram junto comigo.  Porém depois da sessão, percebi um padrão bem óbvio pelo qual não me encaixo:
1-      Cabelos lisos (escorridos) até a cintura;
2-      Vestidos micro curtos e mais-calças com desenho “sexy”(?);
3-      Todas com um copo de bebida na mão.
4-      Saltos altíssimos vermelhos, rosa, verde e etc;
5-      Siliconadas, com pernas gigantes e bundas idem de muita academia.

Elas ao fim se tornaram uns clones que não entendi ainda. E os rapazes também! Todos musculosos, com tatuagens de um circo de horrores, mostrando suas línguas. Todos com cara de:”Vim pegar todas hoje!”.  E elas: “Vim ser pega hoje!”. E não vou comentar o estilo musical. Não vou!
Todos se tornaram bonecos no modo automático. Todos agindo da mesma maneira. E achando que a vida é isso: baladas e “pegação”.
Quando olho para mim vejo assim: a garota que gosta de usar all-star e calça jeans.  Uso o que acha bonito e fashion, não o curto. Gosto de roupinhas retrôs, floral e tiaras no cabelo. Cafona? Não sei! Mas acho essas coisas tão mais femininas...
Se comentar que passei a noite do feriado assistindo um seriado, mudam de assunto. Quando perguntam a mim o que eu mais gosto de fazer e respondo que é ir ao cinema, fazem cara de tédio. Para não dizer que fui a uma balada, fui uma vez. E foi bom sim, eu curtindo no meu canto.
E faço academia, duas vezes por semana para não ficar enferrujada.
Gosto de ler.  Gosto de escrever. E quando converso com alguém desse “Canil” e eles chegam com um: “Eu quero que ele sejE...”, desconverso e saio andando. Gente que esquentou cadeira na escola.

Será que sou cafona? Ainda não entendi a modernidade?
Olha, de verdade, não entendi essa juventude atual, mas para mim, diversão tem opções muito mais distintas que Tequila e bagunça. Não existe mais dançar juntinho, ou aquela coisa de cortejar a moça.
Quem me dera...
Para eles, apenas sou uma boneca ultrapassada.

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