"Quero desafiar pessoas a pensarem", diz romeno Cristian Mungiu


Foto: ReutersO diretor Christian Mungiu (centro)











A primeira coisa que o cineasta romeno Cristian Mungiu pediu, na coletiva de imprensa de “Dupa Delauri” (“Além das Montanhas”, na tradução literal do inglês) no Festival de Cannes, foi que não se fizessem comparações entre este e seu trabalho anterior, “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, vencedor da Palma de Ouro em 2007.
“Minha primeira escolha é tentar fazer uma coisa diferente. Depois de um filme de sucesso, você se pergunta: vou fazer aquele de novo ou alguma outra coisa?”, disse.
O diretor contou ter selecionado primeiro a história e então percebeu que se tratava de outra trama sobre uma dupla de mulheres e um homem. “Depois de um tempo, percebi que as semelhanças paravam aí. É um filme sobre amor, diferentes tipos de amor e o que as pessoas estão dispostas a fazer por amor. É sobre abandono, você não pode abandonar quem te ama. Quero que as pessoas pensem sobre suas escolhas.”
Em “Dupa Delauri”, Alina (Cristina Flutur) retorna da Alemanha para reencontrar Voichita (Cosmina Stratan), que conheceu no orfanato onde ambas foram criadas. Está disposta a levar a sua amiga com ela, mas a garota agora mora num monastério e está encantada por Deus. A situação desespera Alina, que passa a ser vista como tomada pelo demônio pelas outras moradoras e pelo padre do local.
“Dupa Delauri” mostra como a fé pode ser perigosa, já que as pessoas têm certeza de que estão apenas fazendo o bem, em nome de Deus. Mas outros tipos de questões vão invadindo o filme, como a falta de oportunidades para quem não nasce numa família estabelecida, ainda mais num país cheio de dificuldades como a Romênia (ou o Brasil), e como uma história violenta acaba ficando entranhada em cada indivíduo.
Resulta num filme complexo, que só ganharia se fosse menos redundante e mais enxuto – no fim, Mungiu acaba martirizando suas personagens (e o espectador) sem necessidade em duas horas e meia de duração. O público inteligente descobre em pouco tempo a insanidade daquilo tudo.
O diretor afirmou que tentou manter o seu ponto de vista longe do filme e não quis apontar culpados. “É justo imaginar que as pessoas responsáveis pelo que acontece a essas garotas não estão presentes neste filme. Quando elas começaram sua educação era de 2 ou 3 anos, e suas opções eram muito limitadas. Não quero dizer quem é culpado entre esses personagens. O que é melhor: errar por não fazer nada ou errar porque tentou fazer algo?”
Indagado sobre a recepção dividida ao longa-metragem, Mungiu disse. “As pessoas têm liberdade para acharem o que quiserem. Não quero que o filme seja gostado, quero que desafie as pessoas a pensarem."
Fonte: Portal IG
Postagem: Magno Oliveira

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conheça um pouco mais sobre Carla Cristina Garcia ministrante da oficina cultural “A literatura e a moda: A estranha relação entre as palavras e o corpo”

REUNIÃO DO CONSELHO DE CULTURA DE POÁ SERÁ DIA 19

No Café da Manhã com Poesia: Uma pequena crônica de uma manhã de domingo