Suzano recebe espetáculo “Pinokio”, da Cia. Club Noir


 “Pinokio”, o novo espetáculo da Cia. Club Noir, poderá ser conferido pelo público suzanense em duas apresentações, hoje quinta e amanhã sexta, às 20h, no Galpão das Artes. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência.

Espetáculo adulto, “Pinokio” faz menção à fábula de Carlo Collodi, na qual um boneco se transforma em humano. Na peça, seres humanos metamorfoseiam-se em uma espécie de trans-humanidade, por meio da hibridação de corpos e máquinas. A ação se dá em um mundo inteiramente inventado, habitado por criaturas que existem numa linguagem neológica, configurando uma nova mitologia.

O cenário, assinado pelo diretor Roberto Alvim, é todo negro. Nas paredes pretas, uma tinta a óleo escura escorre dando impressão de umidade. O chão, de mármore preto, dá a sensação de um solo com rachaduras ou texturas escondidas. Os figurinos das atrizes de Danielle Cabral e Juliana Galdino são confeccionados com tecidos pretos, porém com nuances diferentes desta cor, mesclando diversos caimentos, texturas e cortes.

Para realçar a atmosfera de penumbra, o diretor usa, no primeiro ato, uma única faixa horizontal de néon branco, que fica na parede ao fundo do cenário, iluminando somente o entorno dos corpos. No segundo ato, essa luz some e o que acompanha a cena são torres laterais de lâmpada dicroica, em pequenos focos, como de uma lanterna. Essa luz passa pelos rostos dos atores conforme suas movimentações. No último ato, a única fonte de luz da cena é uma néon vermelha, em forma de um círculo que não se fecha.

Essa opção de Alvim faz com que a sua dramaturgia derramada, fluida e sem narrativa, chegue inteira aos ouvidos do público e cada pequena movimentação dos atores cause uma suspensão, como se daquela penumbra tudo pudesse surgir. “Isso não pretende ser onírico nem alucinação e sim uma nova construção do real”, diz.

O espetáculo vem ao município com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Programa de Ação Cultural (Proac).

Sobre a Cia. Club Noir
A Companhia Club Noir foi criada em 2006 pela atriz Juliana Galdino e o diretor e dramaturgo Roberto Alvim, com o objetivo de encenar autores contemporâneos em obras que dialoguam com a atualidade. O espetáculo “Anátema”, de Roberto Alvim (apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ao longo do ano de 2007), marcou a fundação do grupo. “Homem sem Rumo”, do dramaturgo norueguês Arne Lygre, encenado em São Paulo em 2007, foi o segundo espetáculo da companhia e rendeu indicações aos prêmios Shell de Melhor Direção e Melhor Iluminação e Bravo de Melhor Espetáculo Teatral do Ano.

A estreia de “O Quarto”, de Harold Pinter, em novembro de 2008, marcou a inauguração da sede da companhia. O espaço Club Noir, que fica na rua Augusta, em São Paulo, abriga as encenações do grupo e oficinas permanentes de atuação e dramaturgia, permitindo a continuidade e o aprofundamento de sua pesquisa.

Sobre o diretor
Roberto Alvim é autor e diretor com 16 peças encenadas no Rio de Janeiro, São Paulo, França (Paris), Argentina (Córdoba) e Suíça (Lausanne). Sua obra já foi traduzida para o italiano, francês, espanhol e grego, e há publicações teóricas sobre o seu trabalho no Brasil, Argentina, Espanha e França. Foi professor de História do Teatro e Literatura Dramática no Rio de Janeiro, lecionou Dramaturgia na Universidade de Córdoba (Argentina) e ministra oficinas para novos dramaturgos em diversos estados brasileiros.

De 2001 a 2004, Alvim foi diretor artístico da Sala Paraíso do Teatro Carlos Gomes, no Rio, onde criou o projeto Nova Dramaturgia Brasileira, que ajudou a consolidar uma nova geração de dramaturgos na cidade. Em 2005, foi diretor
artístico do Teatro Ziembinski, também no Rio, onde coordenou o Centro de Referência da Dramaturgia Contemporânea.

Em janeiro de 2006, mudou-se para São Paulo, onde fundou com a atriz Juliana Galdino a companhia Club Noir, dedicada à montagem de dramaturgia contemporânea. Em 2008, lecionou dramaturgia na Escola Livre de Teatro de Santo André, no ABCD Paulista. Foi o primeiro dramaturgo brasileiro publicado na mais importante coleção de dramaturgia contemporânea europeia, a “Les Solitaires Intempestifs”, em 2005, com sua peça “Às Vezes É Preciso Usar um Punhal para Atravessar o Caminho”, também traduzida para o espanhol e publicada na França, Espanha e Argentina. Desde março de 2006, leciona Dramaturgia no Estúdio de Criação Dramatúrgica, em Pinheiros, São Paulo.

Pinokio, com a Cia. Club Noir
Data: quinta e sexta (9 e 10 de junho)
Horário: 20h
Local: Galpão da Artes
Endereço: rua Nove de Julho, 267 – Centro
Recomendação: 12 anos
Entrada gratuita – retirar os ingressos com uma hora de antecedência no local

Fonte: SECOM (Secretaria de Comunicação de Suzano)
Mayara Francine
Postagem: Magno Oliveira

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