“Marighella” é bom, mas poderia ser brilhante


Era um desafio o desejo de Isa Grinspum Ferraz de fazer um documentário sobre seu tio, o controverso Carlos Marighella, um dos líderes da resistência armada ao regime militar no Brasil, assassinado em 1969. Não há registros filmados do homem que viveu 40 anos na clandestinidade. Mas ela mesmo assim tentou em “Marighella”, último documentário exibido em competição na Première Brasil, na noite do sábado (15).
A diretora não esconde sua relação pessoal com Marighella, buscando memórias de sua infância sobre o tio misterioso que ia e vinha e cujas aventuras ela acompanhava no noticiário. Ela também ouviu ex-companheiros do Partido Comunista e da Aliança Libertadora Nacional, especialistas, o filho do guerrilheiro, Carlos Augusto Marighella, e, principalmente, sua tia, Clara Charf, companheira de Marighella. O resultado é um painel rico de histórias que procuram desmistificar o personagem demonizado pelos militares, mostrando-o como poeta e amante de samba e devolvendo-lhe o papel importante que teve na história.
Apesar dos depoimentos fortes, faltam justamente imagens. Além de usar as poucas fotografias existentes e cenas ilustrativas que remetem aos eventos narrados, a diretora poderia ter, talvez, percorrido os passos de Marighella e até mergulhado mais fundo em sua relação pessoal com esse tio tão especial. Se tivesse tirado seus entrevistados do fundo monótono e fizesse com que revivessem um pouco a história, em vez de apenas narrá-la, Isa Grinspum Ferraz teria nas mãos um filme brilhante e não apenas o bom documentário que conseguiu fazer.

Fonte: Portal IG
Postagem: Magno Oliveira

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