Henrique Ludgério será um dos convidados do O Poeta Entrevista em 2012


Neste ano de 2011 Henrique Ludgério lançou o livro “Caos de uma vida sem sonhos, acompanhe abaixo release do livro, conheça um pouco mais sobre o autor e ainda uma pequena entrevista concedida ao poeta Magno Oliveira.
Descoberta sexuais de adolescente durante a ditadura são tema de livro
“Caos de uma vida sem sonhos” é a primeira obra publicada pelo estudante de cinema Henrique Ludgério
Durante os anos 70, a ditadura assombrou o Brasil e aterrorizou a população com suas regras e censuras. Entretanto, em uma pequena cidade fictícia do interior , ela conseguiu passar quase despercebida. É lá que vive Guilherme, protagonista de “Caos de uma vida sem sonhos”. O livro é o primeiro publicado pelo estudante Henrique Ludgério e chegou às lojas pela editora Multifoco emia 20 de agosto de 2011.
Filho adotivo de uma família conservadora, Guilherme experimenta o desejo sem limites. A primeira paixão, por exemplo, foi pela meio-irmã. A vida do jovem fica ainda mais agitada com a chegada de um garoto na cidade, que aguça seus sentidos e provoca uma redescoberta que mudará sua vida e a de todos ao redor.  A partir deste momento, questões humanas entram em xeque, como amor, sexo, memória, tradição, nostalgia e os sonhos, que representam liberdade.
Guilherme deseja que seus caminhos sejam livres como seu pensamento.  
Se o espaço em que vive encerra suas possibilidades, sua prosa simples, pelo contrário, se abre ao máximo para o inusitado. Existem cores, relevo das palavras e pausas.
Ele não sabe bem aonde quer chegar, mas sabe que a cidade em que vive o enjaula. E, assim, nos conta - entre bucólico e desesperado - as questões que o afligem: sua sexualidade, a vontade de fugir, a necessidade de assumir o desejo e a ânsia por liberdade.


Sobre Henrique Ludgério:
Influenciado pela poesia concreta, Henrique mistura palavras a artifícios visuais, como cores e formas. O estilo que marca seu primeiro livro já estava presente no blog Cinestesia (ominimalista.blogspot.com), que manteve entre 2008 e 2010. O jovem cursa o último ano de cinema na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ele participou da produção de quatro documentários, e foi premiado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2007, com o curta-metragem "A Flor do Mangue". Também atua como roteirista e jornalista.

Serviço:

Editora: Multifoco
Preço sugerido: R$38,00
Número de páginas: 166

Entrevista

Magno Oliveira: Qual a importância do Cinema em sua vida?

Henrique Ludgério: Sempre fui um cara que refleti minha existência me alimentando de pequenas ilusões. A tela era o lugar onde essas imagens que passavam na minha cabeça estavam. Chegou um ponto em que aquilo me atraía tanto, que a única maneira de avançar na sétima arte era estudá-la. Assistir virou um luxo.

Magno Oliveira: Por que escolheu o cinema, o que lhe atrai nele?

Henrique Ludgério: Gosto muito de narrativas. E de entender diferentes linguagens. Eu sabia que estudar cinema era estar perto disso. Na verdade nem me vejo como um cineasta. Vejo-me mais como escritor. Aliás, entender a lingagem do cinema através do roteiro e sua estrutura foi um grande passo para escrever romances também. Eu não queria estar enquadrado às letras, por isso não estudei literatura, queria estar mais aberto para outras referências.

Agora se você me pergunta por que afinal eu não fiquei só com os filmes. Eu lhe respondo que a literatura é um projeto mais barato, e acho que prefiro trabalhar sozinho.

Magno Oliveira: Você também trabalha como jornalista, você acredita que exista liberdade de expressão nos grandes meios de comunicação?

Henrique Ludgério: Acho que existe liberdade de expressão na internet porque lá suas idéias não passam por uma pré-avaliação. O que pode ser bom ou ruim. Não penso que existe um movimento de censura nos grandes meios de comunicação. Mas o conservadorismo prevalece. E os grandes canais de televisão e jornais fazem suas escolhas. O que aparece, o que não deve aparecer. Esses canais tem um grande poder de influência, então suas "simples" escolhas decidem que informação é passada para o grande público. Acredito que para jornalistas o exercício da opinião exige esforço, paciência e um autocontrole íncrivel. A verdade é que desde que entram na faculdade eles sabem muito bem onde estão se metendo. Não conheço um amigo jornalista que tenha grandes aspirações políticas ou uma vontade radical de mudar tudo. Se essa vontade aparece, de se expressar livremente, eles podem fazer isso em um blog, por exemplo.

Magno Oliveira: Este é o seu primeiro livro, qual foi a sensação que sentiu quando pegou o primeiro exemplar na mão?

Henrique Ludgério: Desde que enviei o livro para algumas editoras, esse era o meu desejo: vê-lo prontinho na minha mão. Sou apaixonado por livros. Gosto da coisa física, do cheiro. Ter esse contato com uma obra escrita por mim foi surreal. Fiquei um tempo meio bobo, olhando, procurando defeitos. Orgulhoso de ver o trabalho "pronto". É um caminho bem dificil...
Magno Oliveira: Pretende publicar outros?
Henrique Ludgério: Escrever é uma necessidade. Sempre escrevi. A diferença é que agora  eu encaro livros como projetos. Exige dedicação e um tempo de estudos. Ganhar dinheiro com literatura seria um sonho. Estou desenvolvendo um segundo livro, e tenho um projeto somente na cabeça. Respondendo diretamente a pergunta: Sim. Ainda pretendo publicar muitas histórias.

Magno Oliveira: Você já foi premiado, por trabalhos anteriores essa é a maior gratificação que um profissional pode receber?

Henrique Ludgério: Artistas passam por duas fases. Primeiro é estudar e produzir. E pode ser que isso não te leve a lugar nenhum. Na segunda fase, você consegue ver o que você faz inserido num outro contexto: o mercado. Premiações abrem caminhos importantes no mercado. Contudo, a grande realização mesmo é ver sua obra sendo degustada por outras pessoas. O melhor das premiações é que elas te possibilitam alcançar um maior número de pessoas. O prêmio foi por um trabalho coletivo com pessoas incriveis. Era um curta que discutia questões ambientais. Foi significativo porque foi como um reconhecimento de um trabalho muito sincero e bonito.

Magno Oliveira: Caos de uma vida sem sonhos, deu muito trabalho, como foi o trabalho que teve até ele ficar realmente pronto?

Henrique Ludgério: Foram quatro anos digerindo a história. Fiz muitos esboços, mas eles foram ignorados. Passo muito tempo pensando na história, construindo personagens e pensando em como suas ações podem refletir questões universais.  Só comecei a escrever depois que certa noite, sonhei com o final da história. E aí, vieram minhas ambições quanto ao conceito visual e o que isso de fato significaria para a história. Quando eu tinha todos os elementos em mãos fui em frente. Foram nove meses escrevendo. Mais um ano e meio cortando muita coisa, revisando e reescrevendo alguns trechos. Nunca começo a escrever automaticamente para ver no que vai dar. Só começo quando sei que caminhos os personagens vão tomar, que idéias quero discutir, quando, na minha cabeça, o livro está praticamente pronto.

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