Devaneios do Ranzinza por Roberto Prado


Roberto Prado, 49 anos Santos, São Paulo.

Publicou dois livros, é funcionário público. Talentoso escritor, irá escrever aos sábados 10 horas da manhã, no Folhetim Cultural com reprise nas terças ás 20 horas. Pelo Folhetim ainda escreverá uma vez ao mês no Chá das 5.
Blog do Roberto Prado: http://blogdonemesis.blogspot.com/
E-mail do Folhetim Cultural: folhetimcultural@hotmail.com
E-mail: rpjbarbosa@fazenda.sp.gov.br


ACONTECIMENTOS ORDINÁRIOS DE UM DIA BESTA
(CRÔNICA)


Estou em paz, nos ouvidos o velho e rascante Tom Waits canta “Sea of Love”.

Sorrio com meus botões, afinal já faz alguns dias que não me sinto bem assim (dentro do escritório, é claro), o dia está claro, andei pelos centro com  o meu charutinho. Vi as “meninas”, as lojas, atravessei as ruas sem pressa, sem correr.
Um dia, que poderíamos chamar de besta.
Comum, ordinário, mais um desses que a gente vive e nem percebe que sobreviveu a ele...
Mas hoje, até o momento em que escrevo essas linhas, nada e ninguém me perturbou, nem o caso do zíper da minha calça que quebrou enquanto arrumava a camisa dentro da calça, nem quando a porta do elevador abriu e as pessoas me viram brigando com ele, tentando fazê-lo levantar-se e fechar a braguilha da calça, nem as brincadeiras que me fizeram, ou com a colega, vermelha de vergonha, que estava no elevador comigo, sozinha.
Tive que sair à rua com a camisa para fora, coisa que odeio, acho de mau-gosto, e preocupei-me, por um segundo, com a corrente de ar que fazia nas ruas, e levantava a minha camisa.
 Mas nada de mais aconteceu.
Antes de voltar para o escritório, passei numa dessas lojinhas que vendem de tudo, as 1,99 da vida, comprei uns alfinetes de fraldas de crianças (discretíssimos, dourados, não havia os prateados discretos), prendi a minha calça  e estou administrando tudo isso muito bem, para meu espanto.
“Sigo com os fones nos ouvidos, ouço” Manuel, o Audaz” (creio que vocês nem fazem idéia do que estou falando), ao meu lado as harpias ouvem um CD de piadas. Não sei se é bom, não o ouço (e nem quero), mas das gargalhadas não escapo.
Olho para a parede, o relógio não está disposto a dar a hora da saída, mas acho que agüento o “tranco” até lá.
Aparentemente hoje é um dia que devo marcar na folhinha.

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